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21/05/2018 | 15:25 - Atualizada em 22/05/2018 | 09:43

FUNAI confirma “arrendamento”, das terras indígenas Marawatsede

Ele ainda confirmou que existem contratos e que estes são feitos e elaborados pela FUNAI.

Repórter Agro | Camila Nalevaiko

FUNAI confirma “arrendamento”, das terras indígenas Marawatsede

Reunião com vereadores e o presidente da FUNAI de Ribeirão Cascalheira

Foto: Agência da Notícia

Desde o início do ano, o Agência da Notícia, vem recebendo denúncias de que a Terra Indígena Marawatsede estaria sendo arrendada para fazendeiros, o que é ilegal, já que não existe Lei que ampara o arrendamento de terras indígenas.

Nesta última segunda-feira (14), a equipe do Portal Repórter Agro, esteve na BR-158, nas proximidades do Copo Sujo, onde encontramos por acaso o Cacique Damião. A jornalista Camila Nalevaiko, foi então conversar com o Cacique sobre a questão da BR e também aproveitou para questionar sobre o arrendamento das Terras. Damião disse que não existe arrendamento, mas sim uma “parceria”, ele confirmou que essa “parceria”, com fazendeiros era para evitar incêndios que segundo ele são criminosos. Ele ainda confirmou que existem contratos e que estes são feitos e elaborados pela FUNAI.

No contrato existem algumas cláusulas, entre elas, é de que o arrendatário construa as benfeitorias para colocar o gado, como cercas, curral, tenha um funcionário para cuidar do gado e após 5 anos, o arrendatário tira o gado, e as benfeitorias ficam na área de Reserva. “Temos uma parceria com alguns fazendeiros, eles deixam o gado, vão fazer as benfeitorias, ensinar os índios a trabalhar e depois de 5 anos, eles retiram o gado e as benfeitorias ficam para a Comunidade Indígena”, disse o Cacique Damião a jornalista Camila Nalevaiko.

Na oportunidade ele foi convidado a gravar uma entrevista sobre isso, mas ele marcou para se encontrar na sede da FUNAI em Ribeirão Cascalheira em uma quinta-feira (17), a reunião ficou marcada para as 10:00 hs da manhã. A reportagem do Repórter Agro seguiu para Ribeirão Cascalheira acompanhada de dois vereadores de Alto Boa Vista, quando chegamos no local, encontramos apenas Alexandre Abreu, que nos atendeu mas avisou também, que não havia sido comunicado pelo Cacique Damião deste encontro.

Alexandre que é Coordenador Substituo da FUNAI em Ribeirão Cascalheira, confirmou tudo o que o Cacique falou, disse que realmente os pastos estão sendo arrendados, mas também chamou o arrendamento de “parceria”, ele confirmou que a FUNAI tem conhecimento dessas parcerias, porém disse que os contratos são feitos pela Associação BoiúMarawatsede, que representa as 6 Aldeias que estão dentro da Terra que tem 165 mil hectares. “A área da Marawatsede, compreende em 70 % de pastagem e 30% de mata, então essas parcerias estão sendo feitas para evitar as queimadas criminosas”, argumentou Alexandre Abreu negando que a FUNAI faz os contratos, ele disse que apenas deu sugestões de como esse contrato deveria ser feito.

Alexandre também admitiu que esse tipo de parceria é ilegal, já que não existe Lei para explorar terras indígenas. “Esses arrendamentos estão por toda a parte, na Ilha do Bananal, na Urubu Branco, no Parque Nacional do Xingu, em Parecis, e sabemos que é ilegal, estamos aguardando uma posição”, explicou Alexandre.

De acordo com o Cacique Damião são cerca de 11 mil cabeças de gado dentro das Terras, porém as denúncias, apontam que mais de 30 mil cabeças de gado estão dentro da Terra Indígena Marawatsede.

Os vereadores consideram a reunião importante para tirar dúvidas que imperam nas comunidades.  Para o vereador Telmo Santos, o encontro foi importante, importante porque existe uma incerteza, quanto ao deixar esse gado lá. “Nossa dúvida era essa, porque qual a garantia que tem alguém que coloca o gado lá dentro dessa Terra Indígena? E ele disse que não há risco para quem coloca, mesmo sabendo que é ilegal”, disse Telmo.

Para o vereador Rogério Vasconcelos, ficaram muitas dúvidas depois da desintrusão. “Porque tirou um povo, e agora tem outro povo, a gente está tentando entender isso”, disse Rogério. Em breve os vereadores devem organizar uma reunião entre produtores, índios e a FUNAI. “Mas precisamos dar um amparo para as pessoas que foram retiradas da área. Os Índios queriam as terras para deixar crescer a vegetação nativa e agora estão arrendando os pastos. Não tem como entender certas questões”, finalizou Rogério.

Vale ressaltar, que não existe nenhuma Lei que ampara legalmente o que está sendo feito dentro das Terras Indígenas.

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