Nos últimos 10 anos o agronegócio brasileiro sofreu muitas mudanças. Pode-se dizer que ele deixou de ser algo tradicional e familiar e passou a ser tratado como um setor de grandes organizações, com a utilização de técnicas de gestão empresarial como qualquer outro negócio em pleno desenvolvimento
Além do modo de gestão das organizações pertencentes ao agronegócio, outra mudança facilmente notada no setor agro brasileiro foi o advento de novas tecnologias. Os setores pertencentes ao agro passam por um período de mecanização, onde as operações se tornam mais eficientes, além disso, a evolução nas empresas de insumos também vem contribuindo para maiores ganhos de produtividade. A utilização da agricultura de precisão tem destaque no advento de novas tecnologias, permitindo uma agricultura mais competitiva e racional. Ainda não estamos no patamar ideal nessas evoluções, mas estamos caminhando para tanto e no Brasil, os valores movimentados pelo agronegócio justificam plenamente todas as mudanças e investimentos. Esse é o setor que movimenta o país e deve ter todas as atenções voltadas para si.
Mesmo o Brasil ocupando as primeiras colocações em termos de produção e exportação mundial para a maioria dos setores do agronegócio, se compararmos seus níveis de produtividade mundialmente, ainda encontraremos países com modelos de produção diferenciados, ou seja, a maioria dos setores do agro brasileiro ainda tem muito a aprender e conquistar, crescendo em produtividade. Para tanto, esforços em pesquisa e investimentos em novas tecnologias não devem ser estagnados, estando em constante evolução. O monitoramento do que está acontecendo nos países modelo de cada uma das atividades agrícolas é fundamental, para que as melhores técnicas sejam estudadas, replicadas e aprimoradas.
As evoluções destacadas acima fazem com que a competição por mercado seja cada vez mais acirrada. Estamos passando por um período de “seleção”, onde só sobreviverão aqueles que estiverem acompanhando constantemente as evoluções dos setores que atuam. Quando falo em evoluções, falo tanto nas questões de produção quanto nas de gestão. Aprender a criar e agregar valor ao produto agrícola é fundamental, mas ainda mais importante é entender o consumidor moderno e saber guiar todas as ações setoriais para o mercado que se pretende atingir.
Atualmente vemos que os países com maior crescimento populacional e econômico estão no continente asiático. A África também é outra promessa, mas devemos saber diferenciar mercados maduros de mercados em desenvolvimento. Os mercados destacados acima, são mercados em desenvolvimento, que precisam de alimentos em volume para suprir as necessidades de consumo de sua população crescente. Mercados maduros por sua vez, pagam mais pelos produtos, eles buscam qualidade. Essa diferenciação deve estar bem clara no momento de posicionarmos nossos produtos no mercado internacional. Países como os pertencentes à União Europeia por exemplo, são um mercado interessante a partir do momento que o posicionamento correto de nossos produtos é tomado.
Para esses mercados (maduros), os setores do agro brasileiro devem buscar também os mercados fora das grandes e importantes commodities. Como já vem ocorrendo, marcas diferenciadas estão tendo mais destaque, marcas que valorizam e agregam aos seus produtos as novas exigências do atual consumidor globalizado como os princípios de sustentabilidade, saudabilidade, praticidade, entre outros, contando com investimentos em marketing.
Nesse sentido, mesmo já sendo um importante exportador de commodities, o Brasil deve buscar, a diferenciação. Um exemplo seria o aumento das exportações de produtos processados na cultura da soja. Quanto mais os processos são mantidos dentro do país, mais valor agregado é exportado gerando mais riqueza internamente e atendendo mercados com maiores exigências.
Atualmente podemos citar vários setores onde o Brasil é exportador de commodities como o cafeeiro, o sucroenergético, o citrícola e até mesmo o setor de grãos. O setor de cafés deve se preocupar mais com a qualidade dos produtos e com a criação de marcas fortes, assim como fez a Colômbia. O setor citrícola deve se reinventar, pensar em novos produtos, novas mensagens para o consumidor. O setor sucroenergético deve investir em novos produtos como a cogeração de energia e direcionar seus esforços de marketing para a valorização do combustível sustentável que é o etanol.
Nesse sentido, outros países já têm se destacado nas mais diversas produções. No segmento de carnes podemos dizer que a Índia está despontando como grande concorrente do Brasil. A Austrália, com seu setor sucroenergético altamente desenvolvido e exportador é um importante concorrente do Brasil no mercado internacional de açúcar. Os Estados Unidos se destacam na produção de milho, carnes, suco de laranja e grãos. A China está cada vez mais se destacando na produção agropecuária como um todo.
O mundo está demandando alimentos e os países produtores estão se especializando para aproveitarem ao máximo as oportunidades que estão surgindo. O Brasil tem todo o potencial e deve buscar os meios para se estabelecer como o grande fornecedor mundial. Estar atento às tendências de consumo e desenvolver os meios ideais para de atende-las é o primeiro passo para atingir seu objetivo.