Documentário “Pantanal” é indicado ao “Oscar Verde” e leva visibilidade internacional à luta pela preservação do bioma
O documentário "Pantanal", produzido pela ONG Environmental Justice Foundation (EJF), foi indicado ao Wildscreen Panda Awards — o mais prestigiado prêmio do cinema ambiental mundial, popularmente conhecido como “Oscar Verde”. A obra concorre na categoria Impacto e terá sua estreia oficial na premiação marcada para o dia 22 de outubro, em Bristol, na Inglaterra.
Co-produzido por Brasil e Reino Unido, o filme acompanha a jornada de dois ambientalistas brasileiros e retrata com sensibilidade e urgência a beleza do Pantanal contrastando com a destruição provocada por incêndios devastadores. As filmagens ocorreram entre os anos de 2020 e 2024 — período considerado crítico para a preservação do bioma, marcado por recordes de queimadas e graves perdas à biodiversidade.
A produção destaca a importância ecológica da maior planície alagável do planeta, enfatizando seu papel como lar de comunidades tradicionais, povos indígenas e uma fauna extremamente rica e ameaçada. Com uma linguagem cinematográfica envolvente, o documentário mistura imagens de tirar o fôlego com depoimentos de cientistas, lideranças indígenas e ativistas ambientais.
Para Steve Trent, CEO e fundador da EJF, a indicação é uma conquista não apenas cinematográfica, mas política e ambiental. “Essa nomeação leva o Pantanal para onde ele sempre deveria estar: sob os holofotes do mundo, ganhando visibilidade por sua beleza, sua biodiversidade e a necessidade urgente de protegê-lo antes que desapareça”, afirma.
Na categoria Impacto, Pantanal concorre com outras duas grandes produções internacionais: Oceanos com David Attenborough e Reino dos Peixes – Episódio 1: O Poder da Água.
Um bioma em chamas
Os dados que sustentam a narrativa do documentário são alarmantes. Somente entre janeiro e agosto de 2024, o estado de Mato Grosso registrou 24,8 mil focos de incêndio, segundo o Programa BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No Pantanal, o primeiro semestre de 2024 superou até mesmo o temido ano de 2020 em número de focos: foram 2.571 contra 2.365.
Em 2020, o fogo consumiu 4,5 milhões de hectares em 21 municípios da região pantaneira. Já em 2024, até junho, o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa-UFRJ) registrou mais de 517 mil hectares queimados — área quase quatro vezes maior que a cidade de São Paulo.
As consequências não foram apenas ambientais, mas também trágicas para a fauna silvestre. De acordo com o Grupo de Resposta a Animais em Desastres (Grad), inúmeros animais morreram queimados, por desidratação ou fome, vítimas do avanço do fogo descontrolado.
Visibilidade global
A indicação de Pantanal ao Wildscreen Panda Awards amplia o alcance internacional da causa ambiental brasileira e reacende o alerta sobre a urgência de proteger esse bioma único. A expectativa é que o documentário, além de conquistar prêmios, ajude a mobilizar políticas públicas e fortalecer redes de apoio à preservação do Pantanal.