Safra de oliva no Rio Grande do Sul pode atingir recorde em 2026
A produção de olivas no Rio Grande do Sul deve ganhar força na safra 2025/26, com projeções otimistas que indicam possibilidade de recorde na produção de azeite de oliva no Estado. A expectativa é de recuperação após ciclos recentes marcados por forte queda na produtividade.
A confirmação dos números, no entanto, ainda depende do encerramento da colheita. A avaliação de técnicos do setor é de que o desempenho das lavouras tem sido positivo ao longo do ciclo, o que sustenta o cenário favorável.
O Rio Grande do Sul concentra a maior parte da produção nacional de azeite, respondendo por cerca de 75% do volume produzido no país. Atualmente, são mais de 6 mil hectares cultivados, distribuídos em mais de 110 municípios, com destaque para a Metade Sul, onde a atividade tem maior presença.
O bom desempenho da safra está diretamente ligado ao clima. O inverno apresentou quantidade adequada de horas de frio, condição essencial para o desenvolvimento das oliveiras. Já na primavera, o volume de chuvas ficou dentro da normalidade, favorecendo o processo de polinização — que ocorre principalmente pela ação do vento.
No verão, a regularidade das chuvas também contribuiu para o desenvolvimento dos frutos, garantindo condições equilibradas durante fases importantes do ciclo produtivo. Esse conjunto de fatores permitiu uma evolução consistente dos pomares.
Outro ponto que reforça a expectativa positiva é o avanço da idade produtiva das áreas plantadas. Com mais pomares entrando em fase de maior rendimento, cresce o potencial de aumento na produção total.
Nos últimos anos, a olivicultura gaúcha enfrentou oscilações significativas. Após um bom desempenho em 2022/23, quando a produção superou 580 mil litros, o setor registrou forte queda no ciclo seguinte, impactado principalmente pelo excesso de chuvas durante a floração. As safras posteriores mantiveram volumes reduzidos, consolidando um período de baixa.
Agora, a combinação de clima favorável e maturidade das lavouras aponta para uma retomada mais consistente. A produtividade, no entanto, depende de fatores como quantidade e qualidade dos frutos, além das condições climáticas ao longo da colheita.
Para a produção de azeite extravirgem, são necessários, em média, de cinco a dez quilos de azeitonas para cada litro de produto. Pomares a partir do quarto ou quinto ano já podem alcançar produtividade relevante, com rendimentos expressivos por hectare.
Municípios como Cachoeira do Sul, Encruzilhada do Sul, Canguçu, Pinheiro Machado, Bagé, Caçapava do Sul, Santana do Livramento, São Sepé e São Gabriel estão entre os principais polos da cultura no Estado. Além disso, regiões como Viamão e Cruz Alta também registram expansão da atividade, seja pelo crescimento do olivoturismo ou pela abertura de novas áreas de cultivo.
Com esse cenário, o setor entra em 2026 com expectativa positiva, mas ainda atento às variáveis climáticas e de mercado que podem influenciar o resultado final da safra.