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26/03/2026 | 10:00

Tensão no Oriente Médio pressiona custos no agro e eleva risco de endividamento

A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a refletir diretamente no agronegócio brasileiro, pressionando custos de produção e elevando o risco de endividamento no campo. A alta do petróleo no mercado internacional tem efeito imediato sobre insumos estratégicos, como fertilizantes e combustíveis, ampliando as preocupações do setor.

Desde o início das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, no fim de fevereiro, o preço do petróleo acumulou forte valorização, impulsionado principalmente pelo risco de instabilidade no Estreito de Ormuz — rota essencial para o transporte global de energia. Esse cenário tem impacto direto no custo do diesel e na produção de fertilizantes, itens fundamentais para a atividade agrícola.

Diante desse contexto, o governo federal anunciou medidas emergenciais para tentar conter os efeitos da crise. Entre elas, a reabertura de uma linha de crédito voltada a exportadores, com previsão de até R$ 15 bilhões em recursos. A iniciativa busca dar fôlego a empresas afetadas pelo cenário internacional, embora as taxas de juros ainda não tenham sido definidas.

Outra ação foi a edição de um decreto que zera as alíquotas de PIS/Cofins sobre a importação e comercialização do diesel, numa tentativa de reduzir o impacto da alta do combustível no mercado interno. Apesar disso, especialistas avaliam que a medida tem alcance limitado diante da volatilidade global dos preços.

Além disso, o governo intensificou a fiscalização sobre o setor de distribuição de combustíveis. Até a terceira semana de março, mais de 50 empresas haviam sido autuadas por práticas consideradas abusivas, com multas que variam de R$ 50 mil a R$ 500 milhões.

Para especialistas do setor jurídico e econômico, os reflexos no agronegócio já são evidentes. O aumento nos custos de produção, aliado à instabilidade internacional, pressiona as margens do produtor rural e pode comprometer a capacidade de investimento nas próximas safras.

O cenário reforça a necessidade de planejamento e cautela por parte do setor, que passa a conviver com um ambiente mais desafiador, marcado pela volatilidade dos insumos e pela dependência de fatores externos.
 
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