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27/03/2026 | 09:07

Milho perde espaço nos EUA com alta de custos e pode impulsionar preços globais

O mercado global de grãos entra em um momento decisivo com a expectativa pelo relatório de intenção de plantio dos Estados Unidos, que deve trazer as primeiras indicações da safra 2026/27. A tendência já apontada anteriormente é de redução na área destinada ao milho e avanço da soja — cenário que pode ganhar ainda mais força diante do aumento recente dos custos de produção.

O que não estava no radar dos analistas era a escalada de tensões no Oriente Médio, que elevou rapidamente os preços dos fertilizantes, especialmente os nitrogenados. Desde o fim de fevereiro, os valores desses insumos seguem em alta, pressionando diretamente o custo de produção do milho, cultura mais dependente desse tipo de nutriente.

Com esse novo cenário, a competitividade da soja frente ao milho se fortalece nos Estados Unidos. O custo mais elevado do cereal pode levar produtores a reduzirem ainda mais a área plantada, ampliando um movimento que já vinha sendo projetado pelo mercado.

Caso essa redução se confirme, o impacto nas cotações pode ser significativo. Há expectativa de que os preços do milho na Bolsa de Chicago possam testar patamares superiores a US$ 5,00 por bushel nos próximos meses, como forma de equilibrar uma possível oferta menor diante de custos mais elevados.

Além dos Estados Unidos, outros grandes produtores também começam a reagir ao cenário de insumos mais caros. A China, por exemplo, tem adotado medidas para controlar o mercado de fertilizantes, o que pode influenciar diretamente as decisões de plantio no país, favorecendo culturas menos dependentes de adubação intensiva.

Apesar desse quadro, o mercado ainda conta com estoques relativamente confortáveis no curto prazo, o que limita movimentos mais bruscos. No entanto, fatores como clima — tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil — e a evolução da segunda safra brasileira seguem no radar dos investidores.

No Brasil, os reflexos de Chicago tendem a ser mais intensos no segundo semestre, período de maior concentração das exportações. Uma eventual valorização internacional pode abrir oportunidades para os produtores brasileiros comercializarem seus estoques a preços mais atrativos.

A demanda global também segue como fator de sustentação. No mercado interno brasileiro, o consumo de milho continua em expansão e pode se aproximar de 100 milhões de toneladas nos próximos anos, impulsionado principalmente pelos setores de proteína animal e biocombustíveis.

Mesmo diante de uma produção elevada nos principais países, o consumo tem avançado em ritmo mais acelerado, o que mantém o mercado ajustado. Esse equilíbrio entre oferta e demanda tende a sustentar preços firmes, ainda que com oscilações ao longo do ciclo.

Outro ponto de atenção está no cenário geopolítico. O conflito no Oriente Médio pode impactar fluxos comerciais importantes, como as exportações brasileiras para países da região. Além disso, mudanças políticas podem alterar o cenário de sanções e abrir novos concorrentes no mercado internacional.

No conjunto, o mercado do milho segue em um ambiente de incertezas, mas com fundamentos que indicam sustentação nos preços. A combinação de custos elevados, possível redução de área nos Estados Unidos e demanda crescente cria um cenário que pode favorecer novas valorizações ao longo dos próximos meses.
 
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