O mercado do milho apresentou comportamento distinto ao longo da semana, com valorização na Bolsa brasileira contrastando com a pressão observada nos indicadores internacionais. O movimento chamou a atenção dos agentes, especialmente pela resistência dos preços na B3 diante de um ambiente externo mais frágil.
Os contratos futuros negociados no Brasil encerraram a semana em alta, impulsionados principalmente pelas incertezas em relação à segunda safra. A preocupação com o desenvolvimento da safrinha, marcada por atrasos no plantio e dúvidas quanto ao potencial produtivo, tem sustentado as cotações no mercado doméstico.
Na B3, o contrato com vencimento em maio de 2026 fechou cotado a R$ 72,17. O contrato de julho encerrou a R$ 71,32, enquanto setembro atingiu R$ 71,86, todos com valorização tanto no dia quanto no acumulado da semana.
Esse desempenho ocorre mesmo diante de fatores que, tradicionalmente, pressionariam os preços, como a queda do dólar, o recuo das cotações em Chicago e o enfraquecimento dos indicadores no mercado físico.
No Sul do país, o cenário segue marcado por baixa liquidez. No Rio Grande do Sul, a colheita avança de forma irregular, alcançando cerca de 73% da área, com resultados bastante variados. Regiões com menor disponibilidade hídrica registram perdas pontuais, enquanto áreas irrigadas apresentam produtividade mais elevada.
Em Santa Catarina, o mercado permanece travado, com forte diferença entre os valores pedidos pelos produtores e as ofertas dos compradores. Essa divergência tem limitado o volume de negócios e mantido o ritmo lento das negociações.
No Paraná, a situação é semelhante. Apesar da colheita da primeira safra praticamente concluída, o plantio da safrinha fora da janela ideal em parte das áreas mantém o mercado cauteloso quanto à produtividade e ao comportamento da oferta nos próximos meses.
Já em Mato Grosso do Sul, os preços mostram leve recuperação, mas as negociações continuam pontuais. A demanda do setor de bioenergia contribui para dar suporte às cotações, embora o volume disponível ainda impeça avanços mais consistentes.
Diante desse cenário, o mercado brasileiro de milho segue sustentado por fatores internos, especialmente ligados ao clima e à produção. Mesmo com a pressão externa, a incerteza sobre a safrinha mantém os preços firmes e o setor em alerta.