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31/03/2026 | 09:55

Trigo reage no Brasil com oferta limitada e pressão do cenário externo

O mercado brasileiro de trigo apresenta sinais de reação nas últimas semanas, com avanço nas cotações impulsionado pela oferta restrita e pelo ambiente externo mais apertado. Mesmo com ritmo lento nas negociações, os preços voltaram a subir nas principais regiões produtoras do país.

No Paraná, os valores registraram alta mensal de 4,2%, alcançando R$ 1.217,98 por tonelada. Já no Rio Grande do Sul, a valorização foi mais moderada, de 1,9%, com a cotação chegando a R$ 1.093,93 por tonelada no mesmo período.

O movimento de alta é sustentado por uma combinação de fatores. A disponibilidade limitada de trigo de melhor qualidade, aliada à postura cautelosa de produtores e compradores, tem mantido o mercado ajustado. Além disso, a recomposição pontual dos estoques por parte dos moinhos contribui para dar suporte às cotações.

As perspectivas para a próxima safra também reforçam esse cenário. A produção brasileira de trigo em 2026 deve registrar queda significativa em relação ao ciclo anterior, reflexo da redução da área plantada. A menor oferta tende a manter o mercado firme no curto prazo.

No cenário internacional, o trigo também encontra sustentação. As incertezas em relação à safra no hemisfério norte, ainda sob influência das condições de inverno, mantêm o mercado em alerta quanto ao potencial produtivo das lavouras.

Projeções indicam recuo na produção global na safra 2026/27, com redução tanto na área cultivada quanto na produtividade. Esse cenário, somado aos riscos geopolíticos, reforça a expectativa de menor disponibilidade no mercado internacional.

Nos Estados Unidos, a produção também deve cair, refletindo menor área colhida e rendimentos mais baixos. Ainda assim, a redução no consumo tende a equilibrar o quadro, mantendo os estoques finais em níveis relativamente estáveis.

Diante desse conjunto de fatores, o mercado de trigo segue com viés de firmeza, tanto no Brasil quanto no exterior. A combinação entre oferta mais enxuta e incertezas climáticas deve continuar dando sustentação aos preços, especialmente ao longo dos próximos meses.
 
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