Recuperação das fixações reduz pressão e pode impulsionar alta do açúcar
O setor sucroenergético do Centro-Sul brasileiro inicia a safra 2026/27 com um cenário mais equilibrado, após um avanço significativo nas fixações de açúcar por parte dos produtores. O movimento reduz a pressão vendedora que vinha limitando reações mais consistentes nos preços internacionais nos últimos meses.
De acordo com análise da StoneX, o mercado passou por uma importante mudança de postura. Após um período de atraso nas fixações — que chegou a cerca de 20 pontos percentuais em relação ao ciclo anterior — os produtores aproveitaram a janela de valorização observada em março para acelerar as negociações.
Com isso, o volume fixado avançou de 41,8% para 59,5% da produção esperada, reduzindo a diferença para aproximadamente 10 pontos percentuais frente aos 68,7% registrados no mesmo período da safra passada. Esse movimento diminui a necessidade imediata de vendas no mercado, aliviando a pressão de oferta no curto prazo.
Na prática, a recomposição das fixações contribui para um ambiente mais favorável aos preços, já que reduz o volume disponível para comercialização imediata. Esse fator pode abrir espaço para novas valorizações, especialmente em um cenário ainda influenciado por variáveis externas, como câmbio, energia e geopolítica.
Além disso, o início da nova safra ocorre em meio a ajustes estratégicos das usinas, que seguem avaliando o melhor direcionamento da produção entre açúcar e etanol. A relação entre os preços internacionais do açúcar e a competitividade do biocombustível continua sendo determinante para a definição do mix produtivo.
Apesar do alívio momentâneo, o mercado segue atento à evolução da safra, ao comportamento da demanda global e às condições macroeconômicas. Ainda assim, a redução da pressão vendedora marca um ponto de inflexão importante e pode sustentar um viés mais positivo para os preços do açúcar nos próximos meses.