Queda do milho surpreende e trava negociações no Brasil
O mercado de milho registrou queda nas cotações e entrou em um cenário de negociações travadas no Brasil, refletindo a combinação de fatores cambiais, climáticos e o avanço da oferta na América do Sul. De acordo com a TF Agroeconômica, a desvalorização do dólar tem sido o principal vetor de pressão sobre os preços.
A moeda norte-americana recuou para R$ 5,06, o menor nível em cerca de dois anos, reduzindo a competitividade das exportações brasileiras e impactando diretamente a formação dos preços internos. Esse movimento desestimula novas vendas e contribui para a lentidão nas negociações.
Na B3, os contratos futuros encerraram o dia e a semana em queda. O vencimento maio/26 fechou a R$ 68,64, enquanto julho ficou em R$ 69,01 e setembro em R$ 70,05, todos registrando perdas relevantes.
O cenário externo também contribuiu para o recuo, com pressão vinda da Bolsa de Chicago e expectativa de uma safra robusta na Argentina, aumentando a concorrência no mercado internacional e limitando o potencial de valorização do cereal brasileiro.
Além disso, o avanço da colheita de verão e o plantio da segunda safra em condições climáticas mais favoráveis em algumas regiões ampliam a oferta, reforçando o viés de baixa no curto prazo.
No mercado interno, a liquidez segue reduzida. No Rio Grande do Sul, os preços variam entre R$ 56,00 e R$ 62,00 por saca, com compradores cautelosos e priorizando estoques já formados. A colheita avança e já atinge cerca de 83% da área, beneficiada por condições climáticas mais estáveis, embora ainda haja variações importantes na produtividade.
Em Santa Catarina, o descompasso entre os preços pedidos pelos vendedores e as ofertas dos compradores mantém o mercado travado. No Paraná, a incerteza climática ainda sustenta parcialmente as cotações, mas não é suficiente para destravar os negócios.
Já em Mato Grosso do Sul, o mercado passa por ajustes após quedas recentes, com o setor de bioenergia atuando como importante fator de suporte para a demanda, ainda que o ambiente geral permaneça cauteloso.
Diante desse cenário, o mercado de milho segue pressionado e com baixa fluidez, refletindo um momento de transição entre safras, influência cambial e expectativa de maior oferta na região.