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17/04/2026 | 09:05

Soja fecha mista com pressão da demanda externa

O mercado da soja apresentou comportamento misto nesta quinta-feira, influenciado por fatores distintos entre demanda externa, desempenho dos derivados e condições produtivas. De acordo com análise da TF Agroeconômica, o cenário foi marcado por pressão sobre as cotações do grão e sustentação nos preços do óleo de soja.

Na Bolsa de Chicago, os contratos mais curtos recuaram diante do desempenho fraco das exportações semanais dos Estados Unidos, que totalizaram 247,9 mil toneladas, queda de 16% em relação à semana anterior. A baixa participação da China também chamou atenção, com apenas 15,8 mil toneladas adquiridas, bem abaixo das expectativas do mercado. Além disso, a redução das áreas sob seca nos Estados Unidos favoreceu o avanço do plantio, contribuindo para o viés de baixa.

Em contrapartida, o óleo de soja registrou forte valorização, impulsionado por um ritmo elevado de esmagamento e estoques mais ajustados, o que ajudou a limitar as perdas nos contratos mais longos. No Brasil, a projeção de exportações para abril foi revisada para 16,67 milhões de toneladas, indicando fluxo externo ainda relevante.

No campo, o avanço da colheita segue de forma desigual entre os estados. No Rio Grande do Sul, os trabalhos atingem cerca de 50% da área, com produtividade média de 2.871 kg por hectare, mas com grande variação regional devido às condições climáticas irregulares. A logística também segue pressionada, principalmente pelos custos com diesel e pela necessidade de secagem dos grãos.

Em Santa Catarina, a colheita avança em ritmo mais lento, enfrentando limitações de armazenagem e escoamento. Já no Paraná, apesar da produção recorde estimada em 22 milhões de toneladas, os produtores enfrentam margens mais apertadas, impactadas pelo câmbio e pelos custos logísticos.

No Centro-Oeste, os recordes de produção em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso evidenciam gargalos estruturais de armazenagem, o que força parte dos produtores a vender rapidamente a produção, elevando custos de transporte e reduzindo a rentabilidade.

Diante desse cenário, o mercado da soja segue dividido entre a pressão da demanda externa e o suporte dos derivados, mantendo um ambiente de volatilidade e cautela nas negociações no curto prazo.
 
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