Soja enfrenta pressão com desafios logísticos e custos elevados
O mercado da soja encerrou a semana com leve recuperação nas cotações diárias, mas ainda acumulando perdas no período, refletindo um cenário de pressão logística, custos elevados e condições climáticas distintas nas principais regiões produtoras. Segundo análise da TF Agroeconômica, o movimento recente foi influenciado por ajustes técnicos e variações no câmbio.
Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros registraram pequenas altas no fechamento diário, embora o saldo semanal tenha permanecido negativo. O mercado deu menor peso aos dados fracos de exportação e voltou a atenção para o atraso da colheita na Argentina e para a valorização do real, que reduziu o ritmo de comercialização no Brasil.
O óleo de soja recuou no dia, pressionado pelo comportamento do petróleo, mas ainda acumulou ganhos na semana, ajudando a limitar perdas mais acentuadas do grão.
No Brasil, o andamento da safra segue desigual entre as regiões. No Rio Grande do Sul, a colheita avança de forma irregular devido ao excesso de chuvas, afetando a qualidade dos grãos e elevando custos com secagem e logística.
Em Santa Catarina, a forte demanda da indústria de proteínas mantém o mercado ativo, mas o aumento dos custos, especialmente com diesel e energia, pressiona as margens dos produtores.
O Paraná praticamente concluiu a colheita, com boa produção, mas enfrenta gargalos logísticos e altos custos de frete, ampliando a diferença entre preços no interior e nos portos. Situação semelhante é observada em Mato Grosso do Sul, onde o escoamento limitado mantém as cotações pressionadas.
Em Mato Grosso, apesar da safra recorde, a combinação de elevada oferta, infraestrutura limitada e custos logísticos mantém os preços próximos de R$ 100 por saca em diversas regiões.
Já na região do MATOPIBA, o atraso da colheita impacta o calendário agrícola, especialmente o plantio do milho safrinha, levando produtores a ajustarem suas estratégias.
Diante desse cenário, o mercado da soja segue pressionado por fatores internos e externos, com volatilidade elevada e decisões cada vez mais dependentes de logística, câmbio e condições climáticas.