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07/05/2026 | 09:51

Clima e crédito desafiam planejamento da próxima safra no campo

A safra 2026/27 já começa a preocupar produtores e analistas diante de um cenário que combina risco climático, crédito mais caro e decisões de investimento cada vez mais complexas no campo. A avaliação é do consultor do agronegócio Antonio Prado G. B. Neto, que alerta para a necessidade de cautela no planejamento produtivo.

Segundo o especialista, os eventos recentes relacionados ao fenômeno El Niño indicam a possibilidade de repetição de padrões climáticos observados em ciclos anteriores, exigindo atenção redobrada do setor produtivo.

Embora o fenômeno historicamente favoreça maior volume de chuvas no Centro-Sul do país, a principal preocupação está concentrada no Centro-Norte brasileiro, região estratégica para a produção nacional de soja e, principalmente, do milho segunda safra.

A análise aponta que eventuais ganhos de produtividade no Centro-Sul poderiam não ser suficientes para compensar possíveis perdas em áreas mais vulneráveis ao déficit hídrico.

Além das incertezas climáticas, o ambiente financeiro mais restritivo amplia os desafios. Juros elevados, crédito mais seletivo e aumento nos custos de fertilizantes e combustíveis reduzem a capacidade de investimento do produtor rural.

Com menor margem financeira e maior exposição aos riscos, a próxima safra deve exigir decisões mais técnicas sobre a alocação de recursos, priorizando investimentos estratégicos e práticas que garantam maior estabilidade produtiva.

Esse cenário pode provocar ajustes importantes no campo, como redução no uso de tecnologia, revisão dos níveis de adubação e menor intensidade produtiva em determinadas áreas.

A lógica, segundo especialistas, passa a ser menos focada em buscar recordes de produtividade e mais orientada à eficiência, priorizando retorno econômico e sustentabilidade operacional.

A mudança tende a impactar toda a cadeia do agronegócio. Produtores devem adotar critérios mais rigorosos, fornecedores precisarão adequar ofertas à realidade financeira do campo, e instituições financeiras devem atuar com maior seletividade na liberação de crédito.

Estudo comparativo citado pelo consultor mostra que eventos semelhantes provocaram reduções de 10,1% na safra 2015/16 e de 5,9% em 2023/24, em relação aos ciclos anteriores.

Caso um cenário semelhante se repita, a produção brasileira na safra 2026/27 poderá ficar próxima de 330 milhões de toneladas, abaixo da projeção de 359 milhões de toneladas estimada para o encerramento da safra 2025/26.
 
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