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27/07/2026 | 15:11

Lula, Xi e a conversa que pode ter ficado de fora

Em tempos de geopolítica, o que não aparece em um comunicado oficial pode ser tão relevante quanto aquilo que é divulgado.

Na noite deste domingo (26), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o presidente da China, Xi Jinping.

Segundo os comunicados oficiais, o diálogo abordou temas estratégicos para a relação entre os dois países, como inteligência artificial, minerais críticos, especialmente as terras raras, a defesa do multilateralismo e o interesse brasileiro em acelerar um acordo comercial entre o Mercosul e a China.

Muito além da diplomacia
Os assuntos tratados não poderiam ser mais relevantes. As terras raras tornaram-se um dos ativos mais estratégicos do mundo.

O Brasil possui uma das maiores reservas conhecidas, enquanto a China domina o processamento desses minerais, indispensáveis para a indústria de alta tecnologia, veículos elétricos, equipamentos militares e inteligência artificial.

Não por acaso, esse tema ganhou enorme importância na disputa tecnológica entre China e Estados Unidos.

Também é natural que Lula tenha defendido o avanço de um acordo entre Mercosul e China. Em um cenário de crescente protecionismo, ampliar mercados significa reduzir riscos para as exportações brasileiras.

A ausência que chama atenção
Mas há um detalhe que desperta curiosidade. A nota oficial do Itamaraty não faz qualquer referência à carne bovina brasileira.

Isso, evidentemente, não significa que o assunto tenha ficado fora da conversa.

Pelo contrário. É razoável imaginar que um produto que movimenta bilhões de dólares, representa uma das principais exportações do agronegócio brasileiro e ocupa posição estratégica na relação comercial entre os dois países tenha sido lembrado durante o telefonema.

Trata-se, naturalmente, de uma hipótese, já que nenhum dos governos confirmou oficialmente esse ponto.

Um tema estratégico para o Brasil
Hoje, a carne bovina é muito mais do que um produto de exportação.

A China é o principal destino da carne brasileira e, ao mesmo tempo, adota mecanismos de cotas e tarifas para administrar suas importações.

Por isso, qualquer conversa de alto nível entre Brasília e Pequim desperta, naturalmente, a atenção do setor produtivo.

O agronegócio brasileiro sabe que competitividade já não depende apenas da eficiência dentro da porteira.
Depende também da diplomacia, da previsibilidade das regras comerciais e da capacidade de manter um diálogo permanente com os principais compradores do mundo.

A nova geopolítica dos alimentos
Talvez a principal mensagem desse telefonema não esteja apenas no fortalecimento das relações entre Brasil e China. Ela está na constatação de que o comércio internacional mudou.

Hoje, exportar alimentos significa discutir segurança alimentar, tecnologia, minerais estratégicos, logística, investimentos e influência geopolítica.

A carne bovina brasileira deixou de ser apenas uma commodity. Tornou-se um ativo estratégico nas relações internacionais.
Por isso, ainda que o comunicado oficial não a mencione, é difícil imaginar que um tema dessa relevância tenha passado despercebido em uma conversa entre os líderes de dois dos mais importantes parceiros comerciais do planeta.

Talvez essa tenha sido uma das partes mais importantes do diálogo. Apenas não foi uma das que apareceram no comunicado oficial.
 
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