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12/08/2026 | 12:44

Combustível e o Campo: O Impacto do Diesel na Operação das Lavouras e na Matriz do Frete Agrícola

SÃO PAULO / RONDONÓPOLIS — O óleo diesel é o verdadeiro sangue que circula pelas veias da logística e da produção agrícola brasileira. Desde o primeiro momento em que o trator entra no talhão para o preparo do solo ou o plantio, passando pelo rodar ininterrupto das colheitadeiras durante a colheita, até a jornada de milhares de quilômetros dos caminhões rumo aos terminais portuários, a cotação do combustível fóssil dita o ritmo dos custos operacionais do agronegócio.

Em um país onde o modal rodoviário ainda responde pela movimentação de mais de 60% de toda a produção de grãos, as oscilações na política de preços dos combustíveis e a paridade de importação repassam efeitos imediatos tanto para o custo dentro da porteira quanto para a precificação final do frete.

A Linha Dupla do Custo: Lavouras e Estradas
A dependência do diesel no agronegócio manifesta-se em duas frentes fundamentais:

Operações Dentro da Porteira: O consumo de combustível das frotas de tratores, pulverizadores autopropelidos e colheitadeiras representa uma das maiores rubricas no custo variável por hectare. Em fases de pico, como a janela simultânea de colheita da soja e plantio da segunda safra de milho, o consumo de diesel por hectare cresce significativamente, tornando o produtor vulnerável a reajustes no preço do litro comercializado pelas distribuidoras regionais.

Logística e Frete Rodoviário: Fora da propriedade rural, o diesel representa entre 40% e 50% da composição do custo total do frete rodoviário de longa distância. Cada variação no preço do combustível reflete diretamente na tabela de fretes operada por transportadoras e caminhoneiros autônomos, afetando a margem líquida da comercialização do grão no porto.

A Resposta Tecnológica e a Rota do Biodiesel
Para fazer frente à volatilidade e reduzir a pegada de carbono no campo, o agronegócio brasileiro tem acelerado o uso de soluções tecnológicas. Nas máquinas de última geração, sistemas de telemetria avançada e pilotos automáticos ajustam a rotação do motor em tempo real de acordo com a exigência de tração, evitando o desperdício de combustível.

Paralelamente, a transição energética ganha força com o avanço da mistura compulsória do biodiesel no diesel fóssil, além do crescimento dos testes com o diesel verde (HVO) e o biometano em frotas pesadas. Ao produzir matéria-prima para o próprio biocombustível — como o óleo de soja e gorduras animais —, o agronegócio fortalece um ciclo integrado que reduz a dependência de importações de diesel e agrega valor ao produto nacional.
 
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