Soja registra movimentos mistos nas praças brasileiras pressionada por Chicago e desafios com o excesso de chuvas na safra 2026/27
Os preços da soja operam com variações distintas nas principais regiões produtoras do país, refletindo o cenário de pressão imposto pela nova queda dos contratos futuros na Bolsa de Chicago (CBOT) e os desdobramentos do excesso de umidade no solo, que continua interferindo no andamento do plantio da safra 2026/27. De acordo com análises da TF Agroeconômica, o panorama combina recuos em grande parte das praças, embora algumas localidades ainda registrem reajustes pontuais.
Sul do país: Resiliência em praças gaúchas e avanço no Paraná
No Rio Grande do Sul, as cotações indicadas para a saca de soja ficaram em R$ 145 em Ijuí e R$ 147 em Passo Fundo, enquanto referências anteriores apontavam R$ 148 em Santa Rosa e R$ 154 no porto de Rio Grande. Analistas ressaltam que, diante de negócios pontuais voltados à entrega imediata e com pagamento programado apenas para janeiro, os produtores devem redobrar a atenção aos prazos de liquidação e ao impacto sobre o fluxo de caixa, sobretudo pelas despesas geradas na implantação da lavoura e pelo solo encharcado que dificulta o tráfego de máquinas.
Em Santa Catarina, a cotação FOB de Abelardo Luz apresentou leve recuo de 0,67%, sendo cotada a R$ 148 por saca. Já no Paraná, o plantio avançou para 47% da área total (ante 39% do levantamento prévio), segundo dados do Deral. Apesar do ritmo de avanço, as precipitações recorrentes continuam restringindo as operações de campo e acendem o alerta para uma possível redução na janela ideal de cultivo do milho de segunda safra. Nos preços físicos paranaenses, Paranaguá registrou R$ 153 por saca, ao passo que Cascavel operou a R$ 142.
Centro-Oeste: Chuvas volumosas em MS e quedas no Mato Grosso
No Mato Grosso do Sul, o município de Sidrolândia contrariou a tendência de baixa e subiu 0,71%, alcançando R$ 141 por saca, o mesmo patamar verificado em Maracaju. No entanto, o regime de chuvas intensas preocupa o setor produtivo local devido aos riscos de erosão e falhas no estabelecimento inicial das plantas. Levantamentos da Aprosoja/MS apontam volumes expressivos, como os 459,2 milímetros acumulados em Dourados entre o início de setembro e meados de outubro.
Em contrapartida, no Mato Grosso, as cinco praças monitoradas pelo Imea registraram perdas nas cotações: Campo Verde caiu 0,99% (R$ 140), Rondonópolis fechou a R$ 140,80 e Sorriso recuou para R$ 134,50, em um cenário onde o plantio estadual já ultrapassou a marca de 51% da área total. Diante desse cenário de preços pressionados e clima adverso, variáveis como frete, descontos por impureza/umidade e as condições de prazo de pagamento tornam-se fatores decisivos na análise de viabilidade para a comercialização.