Plantio de soja avança acima da média histórica no Brasil, mas mercado físico lida com cotações pressionadas
O plantio da safra de soja 2026/27 avança em ritmo acelerado e acima da média histórica no país, em um cenário onde as cotações da oleaginosa seguem pressionadas no mercado físico. De acordo com boletim semanal da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), a semeadura havia alcançado 30,1% da área prevista até o dia 16 de outubro, superando confortavelmente a média de 26,4% registrada para o período em temporadas anteriores.
O avanço inicial corrobora as projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que aponta uma colheita estimada em 181,6 milhões de toneladas para o ciclo atual. A estimativa considera o cultivo de 49,3 milhões de hectares em todo o território nacional, com produtividade média projetada em 61,4 sacas por hectare. Contudo, analistas ressaltam que o sucesso do volume final permanece estritamente dependente da regularidade climática ao longo de todo o ciclo produtivo.
Recuperação no Rio Grande do Sul e disparidades regionais
No Rio Grande do Sul, as perspectivas apontam para uma forte recuperação produtiva após os prejuízos climáticos enfrentados na safra passada. A área cultivada no estado deverá atingir 6,74 milhões de hectares, com colheita estimada em 20,2 milhões de toneladas (superando os 18,6 milhões de toneladas colhidos no ciclo anterior). A produtividade média gaúcha está projetada em 50 sacas por hectare, patamar ainda abaixo da média nacional.
Enquanto o maquinário avança no campo, o mercado físico brasileiro registra novas perdas nos preços. Conforme levantamento da CEEMA, a desvalorização interna foi intensificada pelo recuo do dólar — que operou na casa dos R$ 5,02 em determinados momentos —, somando-se à pressão exercida pelas referências internacionais da commodity.
Comportamento dos preços nas praças produtoras
Nas principais regiões produtoras do Rio Grande do Sul, a saca de soja foi cotada a R$ 135,00 em praças como Nonoai e Não-Me-Toque. Já a média semanal dos preços recebidos pelos produtores gaúchos, apurada pela Emater, ficou em R$ 138,00 por saca, evidenciando variações entre as referências locais e o indicador estadual.
Em outros estados produtores, o cenário seguiu a mesma toada de cautela:
Paraná: R$ 134,00 em Pato Branco e R$ 131,00 em Marechal Cândido Rondon.
Mato Grosso do Sul: R$ 139,00 em Maracaju.
Goiás: R$ 132,00 em Rio Verde.
Mato Grosso: R$ 134,00 em Campo Novo do Parecis.
Bahia: R$ 134,00 em Luís Eduardo Magalhães.
Desempenho contrastante no setor de farelo
No comércio exterior, os derivados da soja registraram um comportamento distinto do grão in natura. Nos primeiros 11 dias úteis de outubro, a média diária das exportações brasileiras de farelo de soja cresceu 2,6% em comparação ao mesmo intervalo de outubro de 2025. Além do incremento no volume, o preço médio do produto embarcado apresentou forte valorização, ficando 25,2% acima do registrado no ano passado.
A combinação de uma safra volumosa projetada com preços internos pressionados coloca a comercialização e a gestão de margens entre os maiores desafios dos produtores rurais para este ciclo, mantendo o monitoramento climático e cambial como prioridades absolutas nos próximos meses.