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23/10/2026 | 09:39

Excesso de umidade dificulta avanço do plantio de milho no Sul e mantém preços sob pressão

O avanço da semeadura de milho na Região Sul do Brasil enfrenta sérios obstáculos decorrentes do excesso de umidade nos solos, ao passo que as cotações seguem enfraquecidas pela baixa movimentação comercial. De acordo com levantamentos da TF Agroeconômica, a combinação de precipitações recorrentes e uma oferta interna de grãos superior à demanda tem limitado tanto as operações de campo quanto qualquer perspectiva de reação imediata nos preços.

Rio Grande do Sul: Avanço da semeadura e impactos climáticos

No território gaúcho, o plantio da safra 2026/27 alcançou 78% dos 896,4 mil hectares previstos, com uma produtividade estimada em 7.711 quilos por hectare. Dados da Emater indicam que 98% das lavouras encontram-se em fase de desenvolvimento vegetativo.

No entanto, a umidade elevada, a forte nebulosidade e as temperaturas amenas têm freado o ritmo operacional e o desenvolvimento inicial das plantas. Além disso, episódios de temporais com queda de granizo registrados no final de setembro provocaram danos e perdas irreversíveis no potencial produtivo das áreas mais atingidas.

O andamento da semeadura apresenta disparidades regionais:

Frederico Westphalen: 95% da área plantada.

Ijuí: 92%.

Passo Fundo e Santa Rosa: 90%.

Soledade: 63%.

Pelotas: Apenas 9%.

No aspecto comercial, a saca de milho no Rio Grande do Sul oscila entre R$ 60,00 e R$ 70,00, com a média estadual registrando recuo de 0,57%, situando-se em R$ 62,59.

Paraná e Santa Catarina: Desenvolvimento inicial prejudicado e travamento de negócios

No Paraná, informações do Deral apontam que 86% da área de milho de verão já foi semeada. Embora a germinação apresente um panorama geralmente satisfatório, chuvas constantes, ventos fortes e a baixa incidência de luz solar prejudicam o ritmo vegetativo inicial. Analistas alertam que a continuidade das chuvas poderá comprometer e estreitar a janela de plantio para o milho de segunda safra (safrinha). Nas cotações locais, os preços ao produtor recuaram, com registros de negócios a R$ 50,58 no Oeste paranaense.

Em Santa Catarina, o mercado físico permanece travado. Há um distanciamento expressivo entre as expectativas dos vendedores — que pedem valores próximos a R$ 60,00 por saca — e as ofertas de compra limitadas a cerca de R$ 55,00, o que restringe drasticamente a concretização de novos acordos.

Mato Grosso do Sul

Por fim, no Mato Grosso do Sul, as cotações do cereal flutuam na faixa de R$ 52,00 a R$ 54,00 por saca. O comportamento dos compradores reflete cautela, concentrando-se estritamente na reposição de estoques, enquanto o suporte de demanda mais ativa permanece por conta das indústrias locais de bioenergia, que absorvem parte expressiva da oferta regional.
 
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