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23/10/2026 | 09:54

Plantio de soja avança com ritmos distintos pelo país em meio a chuvas e preços locais descolados de Chicago

O avanço do plantio da soja no Brasil ocorre em velocidades variadas entre as regiões produtoras, fortemente influenciado por condições climáticas adversas e por um mercado físico que não reflete de forma linear a recuperação das cotações na Bolsa de Chicago e a movimentação cambial do dólar. De acordo com levantamentos da TF Agroeconômica, a disparidade regional e os desafios logísticos ditam o ritmo dos negócios no campo.

Região Sul: Ritmo lento e excesso de umidade

No Rio Grande do Sul, a semeadura atingiu 3% da área prevista, índice ligeiramente abaixo da média histórica de 5%, mas equiparado ao ritmo registrado no mesmo período do ano passado. Dados da Emater/RS-Ascar apontam que o excesso de umidade no solo, aliado a temperaturas baixas e à baixa radiação solar, prejudica o arranque inicial das lavouras. Nas cotações locais, a saca é negociada a R$ 145,00 em Ijuí e R$ 146,50 em Passo Fundo.

Em Santa Catarina, o município de Abelardo Luz mantém a referência de R$ 147,00 por saca na condição FOB. No entanto, a previsão de novas precipitações exige cautela redobrada por parte dos produtores, tanto no planejamento das próximas etapas de plantio quanto no escoamento de grãos, devido às dificuldades de tráfego e acesso às propriedades rurais.

No Paraná, o plantio alcançou 47% da área, patamar inferior à média superior a 55% observada nas últimas três safras. Em contrapartida ao cenário climático desafiador, o setor externo apresenta robustez: as exportações paranaenses do complexo soja somaram 12,79 milhões de toneladas entre janeiro e setembro (alta de 3%), gerando uma receita de US$ 5,76 bilhões (avanço de 13%). No mercado físico paranaense, os preços registram R$ 155,50 por saca em Paranaguá e R$ 144,50 em Cascavel.

Centro-Oeste: Avanço em MS, chuvas intensas e quedas no MT

No Mato Grosso do Sul, o plantio avançou para 32% da área, o que representa cerca de 1,5 milhão de hectares semeados. Contudo, chuvas intensas provocaram episódios de erosão em pontos específicos do estado e interromperam temporariamente as operações de campo. As cotações em Maracaju e Sidrolândia mantêm-se estáveis na faixa de R$ 141,00 por saca.

Já no Mato Grosso, cenário oposto foi registrado: todas as cinco praças monitoradas pelo Imea apresentaram recuo nas cotações, contrariando a melhora dos indicadores externos. Os preços variam de R$ 133,80 por saca em Sorriso até R$ 140,25 em Rondonópolis. Diante desse cenário de retração e volatilidade, analistas reforçam a necessidade de os produtores avaliarem criteriosamente variáveis como custos de frete, prazos de liquidação e condições de entrega antes de fechar novas negociações.
 
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