São Paulo sustenta topo da arroba até R$ 390, enquanto Pará e Paraná sobem com resistência de pecuaristas e escassez de animais
O mercado físico do boi gordo mantém a sua rota de forte sustentação nos preços, com destaques regionais para valorizações no Norte e no Sul do país, impulsionadas pela postura firme dos pecuaristas e pela oferta contida de bovinos prontos para o abate.
Em São Paulo, praça de referência nacional, os negócios fluem na faixa entre R$ 380,00 e R$ 390,00 por arroba, preservando os patamares elevados registrados nos últimos dias. O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq encerrou a sessão praticamente estável, cotado a R$ 381,40/@.
No Pará, a necessidade das indústrias em preencher as escalas encontrou forte resistência por parte dos pecuaristas para entregar lotes nos preços antigos. A firmeza dos produtores forçou os compradores a elevarem suas ofertas entre R$ 5,00 e R$ 15,00 por arroba, levando as negociações locais para o patamar de R$ 365,00/@. As escalas de abate no estado variam de curtas a moderadas, entre quatro e sete dias.
Já no noroeste do Paraná, a escassez de animais terminados voltou a pressionar as cotações para cima. Com alta de R$ 5,00 por arroba, os negócios paranaenses foram concretizados na faixa de R$ 385,00 a R$ 390,00/@.
Escalas confortáveis travam praça de Mato Grosso do Sul
Em Dourados (MS), o mercado esteve praticamente paralisado na segunda-feira, reflexo direto da cautela gerada pelas movimentações políticas e eleitorais recentes. Agentes consultados pelo Cepea projetam um ritmo cadenciado de negócios ao longo desta semana, uma vez que grande parte das indústrias frigoríficas sul-mato-grossenses já está com escalas de abate preenchidas até o início de novembro. As poucas negociações registradas ocorreram sem alteração de valores.
Atacado sente fim de mês e chuvas, mas carcaça casada reage
No mercado atacadista da Grande São Paulo, o fechamento do mês somado ao período prolongado de chuvas reduziu a circulação de consumidores no varejo e desacelerou o escoamento da carne bovina.
Apesar dessa postura mais comedida dos compradores, a restrição de oferta na ponta da matéria-prima garantiu sustentação aos preços: a carcaça casada bovina registrou ligeira valorização nesta segunda-feira, cotada à média de R$ 26,15 por quilo à vista.
Perspectivas para terça-feira (27)
A expectativa para esta terça-feira (27) é de uma retomada gradual das negociações no mercado físico, após um início de semana marcado por baixa liquidez e cautela macroeconômica. O comportamento das indústrias ao testar o mercado, aliado à capacidade de retenção dos pecuaristas no pasto e à resposta do consumo de carne na transição para o início de novembro, ditará o rumo das cotações nos próximos dias.