Dólar alto sustenta preços do café no Brasil e compensa quedas em Nova York; bienalidade baixa acende alerta para a safra 2027/28
Os preços dos cafés arábica e conilon (robusta) mantêm a rota de firmeza no mercado físico brasileiro neste fechamento de outubro. De acordo com análise divulgada nesta quarta-feira (28) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a expressiva valorização do dólar frente ao real tem funcionado como o grande pilar de sustentação das cotações internas, compensando com folga os recuos registrados nas bolsas internacionais.
No exterior, os contratos futuros de arábica vinham acumulando perdas na Bolsa de Nova York (ICE Futures), pressionados pela combinação de chuvas benéficas nas principais regiões cafeeiras do Brasil e pela recuperação gradual dos estoques certificados. Esse cenário de alívio climático aumentou as apostas globais de uma oferta mais robusta na próxima temporada, pesando sobre as cotações em dólar.
Fase decisiva dos chumbinhos e bem-sucedido ciclo de bienalidade baixa
No entanto, o Cepea ressalta que o cenário doméstico ganha contornos próprios. As lavouras brasileiras entram agora na fase crítica de pegamento e desenvolvimento dos frutos (chumbinhos), momento biológico decisivo para consolidar o potencial produtivo da safra 2027/28.
Para o café arábica, a próxima temporada será marcada pelo ciclo de bienalidade baixa — característica fisiológica do cafeeiro que resulta, naturalmente, em uma carga produtiva menor em relação ao ciclo anterior.
Segundo os pesquisadores, essa menor carga torna o mercado extremamente sensível e reativo a qualquer estresse climático ou irregularidade nas chuvas nos próximos meses. Com a moeda americana aquecida e as incertezas normais de desenvolvimento do ciclo 2027/28, a tendência é que o mercado interno continue operando blindado contra quedas mais acentuadas do exterior.