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14/11/2019 | 06:33 | Atualizada: 14/11/2019 | 08:53

Descubra como reduzir custos e obter máxima produtividade da pecuária no período das águas.

O período das águas sem dúvidas é o mais determinante e potencializador para a pecuária, visto que as chuvas são fator predominante para o bom desenvolvimento das pastagens em relação  a seu volume e capacidade nutritiva, o que possibilita um trato bem mais econômico e viavel aos animais do que quando comparado a época de estiagem.

O assunto foi tratado nesta quarta feira (13) pelo engenheiro agrônomo e doutor em ciência animal e pastagens, José Renato Silva Gonçalves, administrador da Fazenda Figueira, propriedade em Londrina-PR onde a Fealq, fundação da Esalq/USP, testa e valida novas tecnologias próprias e de instituições parceiras.

“A gente tem o período chuvoso, que para a maior parte do Brasil pecuário está começando agora, que vai de outubro até março ou abril, dependendo da região que a gente está, em que eu tenho as condições adequadas para este capim produzir. É neste momento, no período das águas, que eu tenho que tomar cuidado para suplementar e complementar qualquer deficiência que esse capim tenha para que a gente possa potencializar a produção dos animais, a produtividade da fazenda e, principalmente, a lucratividade do nosso negócio”, resumiu Gonçalves.

Destacou ainda que o custo gerado neste período se torna menor devido a não necessidade de suplementação alimentar para o rebanho. Porém a suplementação mineral é essencial para suprir as deficiencias das pastagens, que crescem em solos carentes de certos nutrientes, como fósforo por exemplo. 

Portanto, a utilização de sal branco é essencial, pois os animais possuem uma atração nautral por cloreto de sódio, substância presente neste tipo de sal. Com isso, o sal branco se torna um veículo para transportes de tais elementos até o animal.  E aí a gente aproveita e usa este veículo, já que ele tem o apetite para consumir, para veicular os outros minerais que são de extrema importancia para os processos enzimáticos, os processos produtivos”, explicou.

Outra forma de melhorar a qualidade das pastagens em relação às necessidades dos animais é reforçar a fertilidade do solo, já que o capim é um reflexo do que há no terreno. “Então se estou em uma região de solos pobres, onde não foi feita nenhuma correção, nenhuma adubação, por mais que eu descanse este pasto, deixe ele vedado e ele consiga acumular uma produção, esta produção do pasto tem as mesmas deficiências do solo”, avisou o agrônomo.

“O Brasil tem um diferencial produtivo de gado de corte que poucos países no mundo têm. A gente tem extensão de área, tem solos adaptados à produção de plantas forrageiras, de capim, uma gama muito grande de capins adaptados a diferentes regiões brasileiras e nós temos um animal, que são os zebuínos, que são capazes de produzir neste sistema a pasto com uma boa eficiência. Então o primeiro ponto para a gente manter a lucratividade em patamares adequados é a gente explorar o potencial do pasto. Esta é provavelmente é a maneira mais barata de produzir arrobas de carne no Brasil”, indicou José Renato.

Para assegurar que os animais de fato consumam o sal mineralizado, José Renato recomendou atenção com a metragem de cocho, que ganha relevância conforme mais simples é o manejo de lotes e piquetes. Em pastos grandes, por exemplo, um cocho maior torna-se mais importante por conta do comportamento natural dos animais, que preferem andar em bando pela proteção. Assim, a tendência é que quando os primeiros animais que já consumiram o sal mineral comecem a sair do cocho, os que ficaram por último acompanhem os demais e não tenham tempo de lamber o sal no cocho. Com uma estrutura maior, mais indivíduos podem acessar e consumir a quantidade ideal dos minerais.

Outra forma de fazer com que os animais permaneçam um tempo maior próximo aos cochos com sal é instalá-los próximos ao bebedouro, induzindo os animais a ingerirem a quantia necessária dos nutrientes. “O grande problema da suplementação mineral a pasto é que o consumo pelos animais é errático. Ele não consome exatamente o que ele precisa todos os dias. Ele pode consumir o dobro da quantidade hoje e ficar dois dias sem lamber. Só que isso aí prejudica os processos metabólicos. Então quando a gente consegue fazer com que o animal fique mais tempo próximo ao cocho de sal, a gente acaba conseguindo amenizar esta variabilidade dentro do consumo e melhorar o desempenho produtivo destes animais”, concluiu.

 
 
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