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08/01/2020 | 13:02

A era da boiada digital

A transformação digital das fazendas de engorda de bovinos começou há cerca de dez anos com uma tarefa simples: a substituição de anotações no papel, do manejo dos animais, para o registro direto em celulares e tablets. De lá para cá, algumas plataformas digitais ganharam notoriedade, como os aplicativos da paulistana Bovcontrol, da catarinense Jetbov e das mineiras Prodap e 4Hoffs.

O movimento agora ganha ritmo. Uma infinidade de opções vem surgindo para ajudar o produtor a ter um maior controle do rebanho. Entre as novidades estão sensores de movimento e de comportamento dos animais, chips de identificação menores e mais potentes, câmeras, pistolas automáticas de aplicação de medicamentos, cochos e balanças inteligentes.

“Isso tudo vai ajudar o fazendeiro a ter maiores ganhos de produtividade e lucratividade”, afirma o veterinário argentino Ariel Maffi, vice-presidente de Ruminantes Brasil da DSM Tortuga. “Estamos investindo na transformação digital da pecuária e o Brasil será o centro do desenvolvimento de tecnologias para a produção de bovinos da companhia para todo o mundo.”

Não é por menos essa responsabilidade. Com o maior rebanho de bovinos do mundo, com 213,5 milhões de animais, o País é a referência para a holandesa DSM. Há cerca de dois anos, a companhia, que fatura no País cerca de R$ 2 bilhões com a fabricação de ração e formulações nutricionais e de saúde para a criação de bovinos, aves, suínos e peixes, vem transformando uma das suas unidades experimentais, a fazenda Caçadinha, com 5,2 mil hectares no município de Rio Brilhante (MS), no mais poderoso polo de pesquisa e desenvolvimento da companhia no mundo. “Tudo que há de mais moderno para a produção está lá”, diz Maffi. Há, por exemplo, equipamentos digitais para medir o consumo de ração, água e peso dos animais. Há também um sistema de câmeras interligado a um sistema de inteligência artificial que dá com precisão a quantidade de ração que deve ser fornecida diariamente aos animais. Segundo o zootecnista Tiago Acedo, gerente de Inovação e Ciência Aplicada da DSM para América Latina, há câmaras que capturam imagens em terceira dimensão de cada animal. “A partir dessas imagens, um sistema vai acompanhando o crescimento do animal e diz quando ele já está pronto para o abate”, explica.

 
 
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