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10/01/2020 | 08:44

“Se tivermos retaliação do Irã, a agricultura de MT estará fortemente ameaçada”

As declarações do Governo Federal em relação ao ataque dos Estados Unidos ao Aeroporto Internacional de Bagdá, que gerou a morte do principal comandante militar do Irã, o general Qassim Suleimani, na última sexta-feira (03), tem gerado preocupação em parte dos agricultores mato-grossenses. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chegou a declarar apoio à ação estadunidense, à qual ele definiu como “combate ao terrorismo”. 

Uma possível retaliação comercial do Irã a países que declararam apoio a Donald Trump pode gerar prejuízos à economia de Mato Grosso. É o que teme o diretor administrativo da Associação dos Produtores de Soja e Milho do estado de Mato Grosso (Aprosoja), Lucas Costa Beber. Em entrevista ao PNBonline, Beber afirmou que os agricultores desejam que o Governo Federal demonstre mais cautela nas afirmações, já que o conflito não envolve o Brasil. 

“Se tivermos uma retaliação do Irã, com certeza a agricultura de Mato Grosso estará fortemente ameaçada, pois exportamos grande parte da nossa produção de milho para esse país. Os agricultores pedem que haja cautela, pois não é uma guerra nossa. É entre os Estados Unidos e Irã. Nós, como brasileiros, nem sabemos todos os contextos de fato envolvidos”, afirmou. 

O Irã é atualmente o maior importador de milho do estado de Mato Grosso e um dos maiores do Brasil. O estado mato-grossense corresponde a quase metade das exportações de milho brasileiro e quase metade do volume do que é produzido aqui é destinado a países persas como o Irã. Além disso, Mato Grosso detém atualmente 28% de toda a produção nacional de grãos. 

O representante da Aprosoja ainda destacou que a associação defende a política de repúdio ao terrorismo contida na Constituição Federal, mas que o posicionamento do Governo deve privilegiar os interesses econômicos brasileiros em situações de conflitos que não dizem respeito diretamente ao Brasil. 

“O Estados Unidos é um país que comercialmente sabemos que sempre pensou em si em primeiro lugar, à frente de qualquer outra questão. O Brasil deveria agir assim também, pensando em primeiro lugar nas suas exportações e relações comerciais e governamentais. Então, nós temos medo sim que isso possa ter um impacto muito grande, pois isso seria devastador para uma economia ainda em recuperação como a de Mato Grosso”, disse Beber.
 
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