‘Produtor de soja não deve esperar dólar chegar a R$ 5 para vender’
A especulação em torno do impacto do coronavírus sobre a economia global ainda tem espaço para levar o dólar a R$ 4,80, afirma o diretor da ARC Mercosul, Matheus Pereira. Porém, segundo ele, o produtor brasileiro não deve fixar patamares para negociar.
“Fique atento ao mercado: quando surgirem notícias sobre tratamentos e vacinas, será o momento de travar os preços”, disse, durante o Fórum Soja Brasil, realizado na 21ª Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS), nesta quinta-feira, 5.
O economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz, não aconselha o produtor a se apoiar na especulação. “Sabemos que especular taxa de câmbio é mais arriscado do que apostar em um cassino, e não vejo a soja valendo alguma coisa”, afirma.
Da Luz reforça que os agricultores brasileiros vivem um bom momento por conta do dólar em alta, pois o preço da oleaginosa na Bolsa de Chicago está abaixo de US$ 9 por bushel. “Não foi a soja que se valorizou”, diz.
O economista afirma que a situação lembra bastante o cenário de 2014. “Pedíamos pelo amor de Deus para que vendessem a soja com o câmbio a R$ 4 e os produtores estavam esperando o preço subir ainda mais, passar de R$ 90. Acabaram vendendo a R$ 57”, conta.
Para Antônio da Luz, não faz sentido o produtor segurar as vendas neste momentos. “Se estivesse a R$ 60 por saca e houvesse a perspectiva de altas, eu entendia, pois o preço não estaria bom. Agora, com os preços em níveis atuais, acima de R$ 85 por saca, é hora de acordar e vender logo”, diz.
Ele não descarta que a soja possa chegar a R$ 100, “mas de um dia para o outro pode ir a R$ 50 por saca, por causa do câmbio que ninguém controla”.
Matheus Pereira corrobora e enfatiza que não há fundamento para a especulação atual. “Comparando com epidemias de outras doenças mais agressivas e mortais, não há justificativa para o movimento”.
No entanto, o diretor da ARC Mercosul reforça que não é apenas o coronavírus quem dita o rumo do câmbio. A possibilidade de o Banco Central brasileiro reduzir novamente a Selic também favorece a alta. A instituição financeira indicou que pode reduzir a taxa básica de juros para 4%.