Semana de boas vendas de soja e milho nos EUA confirmam que altos preços ainda não estão racionando a demanda
Mais vendas de soja e milho foram anunciadas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta sexta-feira (15). Foram 110 mil toneladas de milho para o México e 318 mil toneladas de soja para destinos não revelados. O volume do cereal foi da safra 2020/21 e o de milho, da 2021/22. E essa demanda ainda bastante presente nos EUA tem sido um combustível importante para a continuidade do rally das cotações na Bolsa de Chicago.
No início de 2021, o analista de mercado Marcos Araújo, da Agrinvest Commodities, já havia sinalizado, em entrevista ao Notícias Agrícolas, que o avanço intenso dos preços deveria provocar um racionamento da demanda, o que vem sendo destaque na mídia especializada internacional nesta sexta.
"Os mercados estão começando a racionar a demanda, o que não acontecia há sete ou oito anos. Ainda estamos no início desse processo. Demora um pouco para começarmos a ver esses sinais e eu diria que estamos apenas no início desse processo, mas vamos precisar racionar", diz o vice-presidente executivo da cadeia de abastecimento agrícola da Cargill e chefe de comércio corporativo, Joe Stone.
No entanto, analistas internacionais e Stone acreditam que esse movimento intenso das cotações ainda depende da extensão do cenário adverso de clima na Argentina e do quanto isso irá impactar, efetivamente, na safra do país e, consequentemente, na oferta global. Assim, o representante da Cargill acredita que os preços ainda não alcançaram seu pico e que novas e fortes altas poderão continuar a ser registradas.
Assim, o elástico entre a força do consumo e o menor potencial da oferta nesta temporada está cada vez mais esticado e impactando no andamento das cotações. Segundo Anderson Galvão, analista de mercado da Céleres Consultoria, a chamada "tempestade perfeita" vem se formando para as commodities agrícolas desde o início de 2020.
"Entramos em um novo ciclo de altas de commodities, uma combinação de efeitos monetários, pelo lado financeiro, e isso sozinho já era suficiente para motivar cotações em alta, e o segundo elemento é a recomposição do rebanho chinês de suínos e o consumo da China explodiu, a China comprou tudo e de tudo. Além disso, tivemos problemas pontuais, como produtividades menores aqui no Brasil", explica Galvão. E dessa forma, o analista acredita que para o milho, por exemplo, os preços altos e sustentados deverá durar por pelo menos mais dois anos. "Para o milho, a soja, e outras commodities, incluindo as minerais".