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27/08/2021 | 15:14

Galvan nega financiar atos e tenta derrubar decisão: “Arbitrária”

Presidente da Aprosoja Brasil, o produtor rural de Mato Grosso Antônio Galvan negou que tenha financiado algum ato contra a democracia programado para o feriado do dia 7 de setembro. Galvan ainda negou que a manifestação atente contra o regime democrático.

Ele prestou depoimento na tarde de quarta-feira (25) à Polícia Federal em Brasília no inquérito sobre atos violentos e ameaça à democracia. 

A investigação foi aberta pelo ministro Alexandre Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou busca e apreensão na casa de Galvan no último dia 20 de agosto.

“Ontem deixei claro a forma que são feitas essas arrecadações. É espontâneo de cada um. Cada um ajuda um pouco e se faz um caixa para pagar esses movimentos, como ônibus e alimentação”, afirmou. 

“Nunca contribuí de maneira nenhuma. Por mais que sou produtor rural e possa contribuir com R$ 5 mil do meu próprio bolso, como muitos contribuíram. Não contribuí com isso. Minhas contas estão abertas para Justiça”, completou.

Galvan também negou que o Movimento Verde e Amarelo, do qual faz parte , tenha aberto um Pix para receber doações para financiar a manifestação.

Em entrevista coletiva online na manhã desta quinta-feira (26), Galvan afirmou que “foi colocado” dentro do inquérito por aparecer ao lado do cantor Sérgio Reis em uma reunião que ocorreu na Aprosoja Brasil neste mês. 

Na ocasião, o músico anunciou que os produtores de soja e caminhoneiros iriam dar 72 horas para o Senado atender suas reivindicações, sob ameaça de uma paralisação nacional das estradas e até invasão do Congresso Nacional.

“A gente recebeu [o Sérgio Reis], falamos sobre diversos assuntos durante nossa assembleia. Nada relevante no sentido de 7 de setembro. Foi um surgimento que acabaram me jogando dentro disso”, afirmou.

 Decisão arbitrária

O dirigente rural completou dizendo que se sente “indignado” por não ter acesso ao inquérito que levou aos mandados de busca e apreensão. 

Para isso, afirmou que sua defesa entrará com pedido para anular a decisão de Moraes, que classificou como “arbitrária”.

“O que nos deixa indignado é que não temos acesso ao inquérito. Não fizemos nada de ilícito, ou foi falado qualquer coisa que não seja dentro da legalidade. O ato de 7 de setembro será como foi o manifesto de 15 de maio, que à época teve mais de 100 mil pessoas”.

“Deixamos registrados que não tínhamos na mão esse inquérito [ao delegado da Polícia Federal]. Os advogados estão entrando com uma cautelar para derrubar essa decisão totalmente arbitrária. Acabaram me envolvendo dentro dela só pelo fato do cantor Sérgio Reis fazer uma visita a nossa sede da Aprosoja Brasil, enquanto estávamos em Assembleia”, completou.

Atos de 7 de setembro

O ministro Alexandre de Moraes proibiu que Galvan e outros investigados no inquérito se aproximem da Praça dos Três em Brasília. Ao ser questionado se, ainda que com a proibição, iria comparecer aos atos em Brasília, Gavan garantiu que irá.

“Eu não estou impedido de estar Brasília, o que não posso é estar em mil metros próximo à praça. Eu vou estar em Brasília no dia 7 de setembro. Agora, se estarei em outro movimento não sei te falar”.

Inquérito

A Polícia Federal cumpriu no dia 20 de agosto 29 mandados de busca e apreensão em todo País. Um deles foi em Sinop, na residência de Galvan.

Além dele e de Sérgio Reis, foram alvos outras oito pessoas: o deputado federal bolsonarista Otoni de Paula (PSC-RJ), o cantor Marcos Antônio Pereira Gomes, conhecido como “Zé Trovão”, o cantor Eduardo Araújo, Wellington Macedo de Souza, Alexandre Urbano Raitz Petersen, Turíbio Torres, Juliano da Silva Martins e Bruno Henrique Semczeszm.

No despacho, Moraes proibiu que o grupo – exceto o deputado - se aproxime no raio de um quilômetro da Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF).

O grupo planeja realizar um protesto no dia 7 de setembro, comemoração da Independência do Brasil, justamente na sede dos Poderes na Capital Federal.

Galvan entrou na mira do STF após realizar uma reunião em que o cantor Sérgio Reis defendeu o afastamento dos ministros da corte pelo Senado Federal.

No áudio, uma conversa com um amigo que veio a público no fim de semana, Reis disse que "se em 30 dias não tirarem os caras nós vamos invadir, quebrar tudo e tirar os caras na marra. Pronto. É assim que vai ser. E a coisa tá séria".

Reis também falou de uma reunião que teve com o próprio presidente Jair Bolsonaro e com militares "do Exército, da Marinha e da Aeronáutica", em que informou o que faria.
 
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