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13/03/2023 | 06:14

Pequenos produtores investem em soja não transgênica no norte do Paraná

A soja transgênica começou a ser cultivada no Brasil no fim da década de 1990, com mais intensidade no início dos anos 2000.
 

A tolerância a herbicidas e a maior resistência ao ataque de insetos fizeram dela bem mais atrativa do que suas versões convencionais. E rapidamente a soja transgênica ocupou a maior parte das áreas destinadas à oleaginosa no país.
 

De acordo com uma associação que reúne especialistas, instituições e empresas que atuam na pesquisa e desenvolvimento de tecnologias, 98% de toda a soja cultivada no país em 2019 eram plantas geneticamente modificadas.
 

Na contramão desse domínio, pequenos agricultores no norte do estado começaram a cultivar soja convencional em 200 hectares. Eles afirmam que usam menos agrotóxico e que, por isso, o custo é menor e a produção mais sustentável.

No fim de fevereiro, eles deram início à primeira colheita, que está rendendo 60 sacas por hectare - quantidade semelhante à média de produção nas lavouras transgênicas.
 

O cultivo de soja é inviável economicamente em pequenas propriedades. Em assentamentos rurais como um de Centenário do Sul, a produção de soja não transgênica só começa a ganhar espaço graças ao cooperativismo.

Os ministros da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário estiveram na cidade. Carlos Fávaro, da Agricultura, afirmou que há demanda para a soja convencional.

“É uma oportunidade de mercado, é um nicho de mercado importante que agrega valor. [As famílias dizem que] estão conseguindo R$ 24 a mais por saca de soja, com o mesmo nível de produtividade”, diz Fávaro.

Especialistas afirmam que, para ser viável ao pequeno produtor, além do cooperativismo, o governo federal precisa disseminar assistência técnica, apoiar o desenvolvimento de novas variedades de soja convencional e também ampliar as linhas de crédito.

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, afirmou que o governo vai melhorar o acesso aos financiamentos.“Tanto haverá aumento de volume de recursos para o pequeno agricultor, como também nós precisamos corrigir os valores, tendo em vista que esses valores estão defasados. O BNDES pode ampliar as linhas de crédito para cooperativas e a cooperativa pode adquirir máquinas modernas, pode adquirir silos e pode fortalecer o agricultor familiar em sua negociação para ele ganhar mercado”, afirma.

 
 
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