
15/03/2023 | 08:33
A Pátria Agronegócios trouxe sua nova estimativa para a safra brasileira 2022/23 de soja em 148,96 milhões de toneladas nesta terça-feira (14). A produtividade média esperada pela consultoria é de 56,9 sacas por hectare (3,413 kg/ha), sendo 12,8% a mais do que na temporada anterior. Além de maior rendimento, o Brasil ainda aumentou 5,2% sua área dedicada à oleaginosa, para 43,65 milhões de hectares.
"A produção elevou-se em relação ao último levantamento em apenas 60 mil toneladas, consequência da expansão da área, mesmo com a queda na produtividade", explica o time da Pátria. "A calamidade produtiva no Rio Grande do Sul foi o principal fator para manter as estimativas sub-150 milhões".
E a logística continua sendo um dos principais gargalos e pontos de preocupação, além de vetor de pressão sobre as cotações no mercado nacional. Os prêmios seguem recuando de forma expressiva no Brasil e também exigem monitoramento constante, para ao menos garantir boa participação de suas vendas em momentos mais oportunos. Os meses de março, abril, maio já registram prêmios bastante negativos - e continuando a cair - e são um dos principais pontos de atenção do produtor brasileiro, como explica o analista de mercado Mário Mariano, diretor comercial da Novo Rumo e da Agrosoya.
E mesmo diante dessa reação dos prêmios, Mariano faz um alerta importante. "Não se trata de uma safra extraordinária", diz. O especialista esteve visitando lavouras de soja em diversas partes de Mato Grosso - maior estado produtor de soja do Brasil - e a irregularidade ainda é uma marca da safra atual, em especial pela ocorrência de anomalias nos campos.
"Há produtores, e não são poucos, registrando 30, 35 sacas por hectare de rendimento sem saber onde erraram, se erraram, ou se foi clima. Está muito preocupante. Claro que não se pode generalizar, é pontual, mas pude registrar essa anomalia em Campo Novo, Deciolândia, Diamantino e Nova Mutum. Outras regiões e talhões nestas mesmas regiões tiveram sucesso com 70, 75, 77 sacas por hectare", relata Mariano.
Os resultados efetivos dessas irregularidades, todavia, só poderão ser contabilizados e completamente compreendidos quando a soja tiver sua colheita avançada e toda essa soja estiver nos portos para ser embarcada ou nas processadoras, ainda como explica o analista.
Ainda assim, neste cenário de algumas incertezas que continuam rondando a nova safra, os prêmios para exportação da soja brasileira continuam caindo, com indicativos para -28 centavos de dólar por bushel em relação ao praticado na Bolsa de Chicago, enquanto para maio são -15 centavos. "Temos uma logística sobrecarregada em todo o Brasil. O lineup aponta exportações próximas de 15 milhões de toneladas neste mês, contra 12 milhões de março do ano passado", diz.
Enquanto há dificuldade de embarque no Brasil, há dificuldade de chegada de soja na China e, portanto, oferta mais restrita.