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15/07/2025 | 14:21

Brasil pode assumir papel estratégico no suprimento global de biocombustíveis, aponta estudo

Redação Reporter Agro por Tiago Seiffert

Brasil pode assumir papel estratégico no suprimento global de biocombustíveis, aponta estudo

Foto: Banco de Imagens

Um estudo recente da consultoria Bain & Company acende um alerta sobre um possível déficit de até 45% no fornecimento global de biocombustíveis até 2040. A escassez preocupa especialmente os setores de aviação, transporte marítimo e rodoviário pesado — áreas nas quais a eletrificação ainda enfrenta fortes limitações. Diante desse cenário, o Brasil desponta como um dos países mais bem posicionados para suprir parte significativa da demanda mundial.

Com uma sólida base de produção de biomassa, o Brasil reúne vantagens competitivas importantes, como a larga produção de soja e cana-de-açúcar, além de um parque industrial consolidado para fabricação de etanol e biodiesel. Apenas nos últimos dois anos, a capacidade de esmagamento de soja cresceu 20%, e o setor ainda opera com margem de ociosidade que permite aumentar a produção com investimentos relativamente baixos.

A infraestrutura logística nacional, já integrada ao comércio internacional, também contribui para ampliar o potencial de exportação de combustíveis sustentáveis. Atualmente, mais de 60% da soja brasileira é exportada in natura — um indicativo de que ainda há espaço para expandir o processamento doméstico sem comprometer o abastecimento interno ou a segurança alimentar.

A produção de biodiesel no Brasil vem crescendo em ritmo mais acelerado que a própria produção de soja, apoiada em ganhos de produtividade e no uso sustentável de áreas já abertas ou degradadas. Isso reforça a possibilidade de crescimento sem a necessidade de avançar sobre novas áreas, como regiões de floresta nativa.

“O Brasil pode ir além da soja e da cana-de-açúcar. A macaúba, por exemplo, é uma palmeira nativa com alto rendimento de óleo e pode ser cultivada em áreas degradadas. Outras culturas como camelina e carinata também apresentam grande potencial, contribuindo para diversificar a oferta de matéria-prima com menor impacto ambiental”, afirma Felipe Cammarata, sócio da Bain & Company.

Segundo o estudo, a adoção dessas culturas alternativas pode ainda otimizar o uso das áreas agrícolas durante o período de entressafra, além de reduzir a dependência de commodities tradicionais. Com esses diferenciais, o Brasil se fortalece como uma peça-chave na transição energética global, oferecendo soluções viáveis para mitigar o déficit de biocombustíveis previsto nas próximas décadas.

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