O dólar Ptax teve média semanal de R$ 5,48/US$, registrando queda de 1,87% em relação à semana anterior. O recuo foi influenciado pela divulgação de dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos abaixo das expectativas e pela crescente perspectiva de cortes na taxa de juros pelo Federal Reserve. Na mesma esteira, o Dólar Index (DXY) — que mede a moeda norte-americana frente a uma cesta de divisas fortes — caiu 0,81%, com média de 98,4 pontos.
A combinação de indicadores mais fracos nos EUA e a menor atratividade relativa dos ativos em dólar favoreceram movimentos de apreciação de moedas emergentes e ajuste nos preços de commodities denominadas em dólar. Para o mercado doméstico, a oscilação cambial reduz pressão de curto prazo sobre custos de insumos importados, mas mantém atenção sobre o calendário de decisões monetárias internacional.
Emprego: CAGED registra 166,6 mil vagas em junho, mas recuo anual persiste
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) referentes a junho de 2025 mostram a criação de 166,6 mil postos de trabalho com carteira assinada — avanço de 8,77% ante maio. Apesar do ganho mensal, o resultado ficou 19,24% abaixo do observado em junho de 2024, quando foram registradas 206,3 mil novas vagas. No acumulado do primeiro semestre, o saldo chegou a 1,22 milhão de empregos, também em nível inferior ao do mesmo período do ano anterior.
Analistas destacam que o avanço mensal sinaliza recuperação pontual no ritmo de contratação, mas o recuo na comparação anual evidencia desafios estruturais no mercado de trabalho e possíveis efeitos da desaceleração econômica. Setores e políticas que estimulem geração de emprego formal serão monitorados nas próximas rodadas de divulgação de dados.
Fed: renúncia de diretora reforça apostas em cortes de juros nos EUA
A renúncia antecipada de uma diretora do Federal Reserve, ocorrida antes do término do mandato previsto para janeiro de 2026, elevou as expectativas de cortes antecipados na taxa de juros americana. O movimento foi interpretado pelo mercado como um sinal de crescente comodidade por parte do banco central, em um contexto já sensível a dados de atividade e emprego abaixo do previsto.
Ao mesmo tempo, incertezas sobre o impacto das tarifas de importação na inflação trazem volatilidade às projeções de política monetária. A combinação entre expectativas de afrouxamento e pressões inflacionárias originadas por políticas comerciais aumenta o grau de cautela de investidores e formuladores de política, que passam a ponderar ajustes graduais para não comprometer a estabilidade de preços.