Os preços do petróleo encerraram a quarta-feira praticamente estáveis, refletindo o equilíbrio entre preocupações com a oferta global e expectativas de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã.
O contrato do Brent fechou com leve alta de 0,1%, cotado a US$ 94,93 por barril, enquanto o WTI norte-americano avançou apenas um centavo, encerrando o dia a US$ 91,29.
O mercado segue fortemente influenciado pela situação no Estreito de Ormuz, uma das principais vias de transporte de petróleo do mundo. Cerca de 20% das remessas globais passam pela região, que enfrenta restrições desde o início do conflito no Oriente Médio.
Mesmo após 45 dias do bloqueio imposto por forças iranianas, o fluxo de navios permanece muito abaixo do normal. Antes da crise, eram registradas mais de 130 travessias diárias; atualmente, o volume ainda representa apenas uma fração desse total.
Dados indicam que as perdas acumuladas no fornecimento de petróleo e condensado do Oriente Médio já chegam a quase 500 milhões de barris, evidenciando o impacto significativo da crise sobre o mercado global de energia.
Ao mesmo tempo, surgem sinais de possível flexibilização. Fontes ligadas a Teerã indicam que o país pode permitir a navegação segura pelo lado de Omã do estreito, desde que um acordo seja firmado para evitar a escalada do conflito.
No campo político, declarações do presidente Donald Trump sugerem que a guerra contra o Irã pode se aproximar de um desfecho, o que ajudou a conter pressões mais fortes de alta nos preços.
Analistas destacam que o mercado já não precifica uma interrupção total do fornecimento, mas ainda mantém um prêmio de risco devido à recuperação gradual e desigual dos fluxos marítimos.
Além disso, medidas adotadas pelos Estados Unidos, como o bloqueio de embarcações que saem de portos iranianos, continuam impactando o comércio marítimo e contribuindo para a incerteza no setor.
Diante desse cenário, o mercado de petróleo segue sensível aos desdobramentos geopolíticos, com preços sustentados por riscos na oferta, mas limitados pelas expectativas de avanço nas negociações diplomáticas.