Pesquisas conduzidas pela Embrapa indicam que o uso de plantas do gênero Sesbania pode representar um avanço importante na recuperação da qualidade dos solos agrícolas no Brasil.
Os estudos vêm sendo realizados há cerca de uma década, com foco principalmente no cultivo de arroz irrigado e feijão. Os resultados apontam que a leguminosa tem potencial para aumentar a matéria orgânica do solo e promover a fixação de nitrogênio, fatores essenciais para o desenvolvimento das lavouras.
De acordo com os pesquisadores, áreas que receberam o cultivo de Sesbania apresentaram melhora visível no desempenho das plantas de arroz, além de ganhos na estrutura do solo. A técnica consiste no plantio da leguminosa em rotação com a cultura principal, sendo posteriormente incorporada ao solo durante a floração.
O processo pode gerar até 60 toneladas de massa verde por hectare, contribuindo diretamente para a fertilidade e reduzindo a necessidade de fertilizantes nitrogenados, que possuem alto custo e, em muitos casos, são importados.
Outro diferencial da Sesbania é sua capacidade de se desenvolver em ambientes alagados, característica incomum entre leguminosas, o que amplia seu potencial de uso em sistemas irrigados.
Além da aplicação agrícola, a planta também apresenta potencial para recuperação de áreas degradadas. Estudos indicam que pode atuar na absorção de elementos tóxicos do solo e na chamada fitoestabilização, reduzindo a mobilidade de contaminantes e ajudando na recomposição ambiental.
Esse uso pode ser relevante em situações como áreas afetadas por enchentes, como ocorreu no Rio Grande do Sul em 2024, ou em regiões impactadas por rejeitos de mineração, como na bacia do Rio Doce, após o desastre de Mariana.
A próxima etapa dos estudos prevê a ampliação dos testes em diferentes regiões do país, com o objetivo de validar os impactos da Sesbania em diferentes sistemas produtivos e avançar na recomendação técnica para produtores.
Com isso, a pesquisa reforça o potencial de soluções sustentáveis no agronegócio, aliando aumento de produtividade à recuperação ambiental.