CUIABÁ — O que antes era tratado como uma cultura secundária para cobertura de solo ou rotação de área após a colheita da soja passou por uma transformação radical. A chamada "safrinha" de milho assumiu o protagonismo no volume da produção nacional e encontrou na indústria de etanol de milho um destino estratégico para agregar valor ao grão dentro do próprio território brasileiro.

A segunda safra responde pela maior parte da produção nacional de milho.. Fonte: Mais Agro - Syngenta
A interiorização das usinas de biocombustível no Centro-Oeste — com destaque para Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul — alterou significativamente a logística do setor. Historicamente dependente dos custos de frete para o escoamento até os portos do Sul e Sudeste, o produtor de milho agora conta com uma demanda consumidora constante a poucos quilômetros da fazenda.
Menos Frete, Mais Margem
O processamento local atenua gargalos conhecidos da infraestrutura de transportes. Ao converter o grão em etanol na própria região de origem, o setor reduz a necessidade de movimentação de volumes brutos pelas rodovias durante o pico do escoamento.
Além do biocombustível em si, a operação gera co-produtos de elevado valor comercial, como o DDGS (Distillers Dried Grains with Solubles ou Grãos Secos de Destilaria). Rico em proteína e fibras, o insumo tornou-se peça central no barateamento da ração para a pecuária intensiva, avicultura e suinocultura regionais.
Solidez e Atração de Investimentos
A previsibilidade oferecida pelos contratos de fornecimento para as usinas tem incentivado o investimento contínuo em tecnologia de campo. Genética de sementes com ciclo mais curto, adubação de alta precisão e defensivos específicos para a segunda safra garantem médias de produtividade cada vez mais elevadas.
A transição energética global e a busca por combustíveis com menor pegada de carbono posicionam o etanol de milho brasileiro em um patamar competitivo. Com a expansão de novas plantas industriais e a modernização das estruturas existentes, a tendência é que a segunda safra continue ampliando sua participação no PIB do agronegócio nos próximos anos.