01/10/2026 | 14:01
redação Repórter Agro
Um dos episódios mais controversos da história do cooperativismo agrícola de Mato Grosso volta a chamar atenção quando o passado empresarial do vice-governador Otaviano Pivetta entra no debate público. Trata-se do caso da Cooperlucas — Cooperativa Agrícola de Lucas do Rio Verde, que enfrentou uma grave crise financeira e foi alvo de investigações relacionadas a supostas irregularidades envolvendo operações agrícolas e armazenagem de grãos.
O caso ganhou dimensão justamente pela importância econômica da cooperativa em uma das principais regiões produtoras de Mato Grosso. Conforme relatos publicados pela imprensa ao longo dos anos, as investigações envolveram suspeitas de desvios e irregularidades em financiamentos agrícolas, além de questionamentos sobre estoques de grãos que estariam sob custódia da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
As cifras relacionadas ao colapso da Cooperlucas chegaram a centenas de milhões de reais em estimativas divulgadas na época. O episódio provocou disputas judiciais e atingiu produtores, credores e empresas ligadas à cadeia do agronegócio.
O caso também ganhou repercussão política porque o nome de Otaviano Pivetta apareceu associado às investigações. Reportagens publicadas anteriormente registraram que ele teria sido investigado e indiciado no inquérito relacionado à Cooperlucas.
Há, porém, um ponto fundamental: Pivetta nega ter exercido funções de diretor, conselheiro ou associado da cooperativa. Ao longo dos anos, ele afirmou que as acusações tinham caráter político e sustentou que não foi condenado criminalmente pelo caso.
Outro aspecto importante para compreender o episódio é o desfecho judicial. Segundo as informações apresentadas nas reportagens citadas, o processo relacionado às acusações acabou atingido pela prescrição, sem condenação criminal de Pivetta.
Isso significa que acusações, investigações e indiciamento não devem ser apresentados como prova de culpa. Ao mesmo tempo, o histórico do caso explica por que a Cooperlucas continua sendo mencionada quando se discute a trajetória empresarial e política do atual vice-governador.
Mais de uma década depois, a questão que permanece no debate público é justamente a extensão das relações entre os envolvidos na antiga cooperativa e quais responsabilidades efetivamente foram reconhecidas ou afastadas pela Justiça.
O episódio se tornou parte da história empresarial de Lucas do Rio Verde e do próprio processo de expansão do agronegócio mato-grossense. A crise da cooperativa mostrou também os riscos financeiros e jurídicos envolvidos em operações de grande escala dentro da cadeia de produção, armazenagem e comercialização de grãos.
Por isso, sempre que o caso volta ao debate, é necessário diferenciar o que foi investigado, o que foi alegado pelas partes e aquilo que efetivamente foi reconhecido pela Justiça.
No caso de Pivetta, permanece registrada a existência das investigações e do indiciamento mencionados pela imprensa da época, mas também a negativa de participação na administração da Cooperlucas e a ausência de condenação criminal decorrente daquele episódio.
O caso, que envolve um dos períodos mais turbulentos do cooperativismo agrícola de Mato Grosso, continua sendo lembrado como um capítulo controverso da história empresarial do Estado.