SÃO PAULO — O mercado físico do boi gordo segue aquecido e registrando forte valorização no Brasil. O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq (à vista, estado de São Paulo) opera na faixa recorde de R$ 380,70 por arroba (@), consolidando um dos momentos de maior firmeza nos preços reais da pecuária brasileira nos últimos anos. A escassez de animais prontos para abate e a necessidade das indústrias frigoríficas de recompor suas escalas mantêm a pressão compradora firme.
Panorama nas principais praças produtoras
A alta generalizada reflete-se com força também nas praças de referência do Centro-Oeste e do interior paulista, onde as cotações à vista se destacam pela robustez:
São Paulo (SP): R$ 376,00 a R$ 380,00 por arroba no mercado físico.
Primavera do Leste (MT): R$ 348,00 a R$ 352,00 por arroba.
Água Boa (MT): R$ 345,00 a R$ 350,00 por arroba.
Sorriso (MT): R$ 346,00 a R$ 350,00 por arroba.
Confresa (MT) / Vale do Araguaia: R$ 342,33 por arroba (à vista).
Fatores de sustentação
De acordo com analistas de mercado, o cenário de preços elevados é sustentado por três pilares principais:
Retenção de Fêmeas e Transição de Safra: O ritmo de descarte de matrizes diminuiu em comparação aos anos anteriores, e a entressafra de pastagens exige maior tempo de terminação nos sistemas de confinamento e semiconfinamento.
Escalas Curtas: Os frigoríficos operam com margens de programação apertadas (muitas vezes limitadas a poucos dias), o que os obriga a cobrir preços mais altos para conseguir lotes que atendam à demanda externa e interna por carne bovina.
Demanda Externa Firme: As exportações brasileiras continuam em ritmo forte, absorvendo grande parte da produção e enxugando a oferta voltada ao mercado doméstico.
Para os pecuaristas, o momento exige cautela na gestão de custos e atenção redobrada na negociação dos lotes de animais terminados, aproveitando as janelas de alta valorização no mercado físico e contratos futuros na B3.