20/04/2018 | 15:16
Repórter Agro | Redação
Rede de Fazendas Alfa, uma mobilização de produtores criada para mapear os principais problemas do campo, já reúne 53 produtores sendo 49 agricultores e 27 fazendo a diversificação da atividade com a pecuária. Outros quatro exercem apenas a pecuária.
Entre os agricultores, 70% utilizam o sistema de soja no verão e milho na segunda safra. O restante produz algodão (5%), girassol (6%), feijão (10%), arroz (3%) e outras culturas (7%). Dos produtores identificados como pecuaristas, 25% são bovinocultores e 75% suinocultores.
Entre os agropecuaristas, a suinocultura é a atividade de pecuária mais presente nos produtores de soja e milho na Rede de Fazendas Alfa que tem objetivo de reunir produtores rurais de Mato Grosso com perfil visionário que aceitaram o desafio de validar, ajudar e até criar soluções para alguns problemas crônicos do campo.
Para consolidar a mobilização, foi realizado o Fórum Rede de Fazendas Alfa na programação do evento Summit AgriHub, no Cenarium Rural, em Cuiabá-MT. No primeiro painel foram apresentadas as experiências, os primeiros resultados da Rede de Fazendas Alfa (RFA) e os próximos passos do programa AgriHub, uma iniciativa do Sistema Famato.
Este foi o primeiro encontro presencial dos participantes da rede. Eles interagiram, trocaram experiências e informações sobre os primeiros resultados da rede e ainda discutiram os próximos passos do projeto como, por exemplo, intensificar o levantamento de dados de maneira estruturada da pecuária, assim como foi feito na agricultura.
O palestrante e responsável pelas parcerias AgriHub Fábio Silva informou que, por meio dessa rede, o projeto conseguiu mapear os problemas do setor. Além disso, os produtores estão participando ativamente como mentores, validadores, investidores e empreendedores.
Para identificar o perfil e as características dos produtores alfa, a equipe técnica do AgriHub promoveu reuniões estratégicas em municípios polos de Mato Grosso como Sorriso, Campo Novo do Parecis, Campo Verde e Água Boa, ou seja, em cidades do norte, sul, leste e oeste do estado.
De acordo com Silva, observando a inteiração entre as cadeias produtivas da agricultura e pecuária, foi constatado que a mais notável é a que se refere aos agropecuaristas que são formados por produtores de soja, milho, suínos e bovinos, ou seja, são as cadeias produtivas de maior relevância.
“As experiências apresentadas mostraram que é possível participar do processo de inovação tecnológica para o agronegócio, validando novos produtos e serviços na fazenda e/ou contribuindo com suas experiências adquiridas na vida e no negócio, facilitando o desenvolvimento das soluções para o campo”, acrescentou Fábio.
Casos de sucesso
No mesmo painel foram apresentados dois casos de sucesso de produtores alfa. Rui Prado, de Campo Novo do Parecis, e Alexandre Lopes, de Campo Verde.
Rui Prado, ex-presidente do Sistema Famato e considerado um produtor validador, disponibilizou sua propriedade, seu maquinário e suas benfeitorias para teste de novas tecnologias. Começou a testar um software de gestão disponibilizado pela empresa Taranis. “Através desse software vou conseguir avaliar melhor o resultado, tanto de produção como financeiro da propriedade. Nesse momento os testes estão acontecendo lá na fazenda, estão na fase de implantação. É um processo moroso, porém acredito que os resultados serão satisfatórios”, afirmou.
Controle de pragas e clima
Entre os principais problemas apresentados na discussão e selecionados pelos participantes como prioritários para serem trabalhados na RFA estão: controle de pragas, clima e conectividade. A partir de agora, a equipe técnica do AgriHub irá criar agendas estratégicas com a participação direta dos produtores rurais e conforme o perfil de cada um.
“A participação dos produtores será fundamental nesse processo, alguns disponibilizando áreas para teste, outros fazendo mentorias, seja nos primeiros negócios, como nos hackathons Dev.Agri, outros como empreendedores e investidores”, disse o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária e heard do AgriHub, Daniel Latorraca.
O programa AgriHub é uma iniciativa da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT) e Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Tem o objetivo de ser a ponte que liga a tecnologia ao campo. Além disso, busca contribuir para aumentar a renda dos produtores rurais usando o mínimo de recursos e para o desenvolvimento sustentável da produção agrícola e pecuária por meio da inovação tecnológica.