Domingo, 15 de Março de 2026 (66) 98428-3004
informe o texto a ser procurado

Notícias / Agronegócios

18/11/2020 | 13:57

Percevejo castanho torna-se inimigo nº1 das pastagens

De difícil controle, praga dizimou áreas no Mato Grosso em 2020 e já é considerada mais temível do que a cigarrinha, pois ataca sem ninguém ver

Por Denis Cardoso Portal DBO

Percevejo castanho torna-se inimigo nº1 das pastagens

Área atacada pelo percevejo castanho no Mato Grosso.

 
Quando os pastos da fazenda NovaPec, em Rondonópolis, MT, começaram a perder produtividade e morrer de maneira desenfreada, no final do ano passado, o pecuarista Arlindo Vilela e sua equipe desconfiaram da presença do percevejo castanho (inseto que suga a raiz do capim). Armaram-se de escavadeiras para buscar, no fundo do solo, evidências da praga.
 
A investigação confirmou as suspeitas, mas a descoberta se mostrou tardia: uma enorme e incontrolável população de percevejos castanhos já se alimentava ferozmente das raízes de grande parte dos pastos da propriedade, que se dedica à recria e engorda intensiva, em área de 691 ha de pastagens. “Foi muito rápido; o percevejo detonou tudo”, lamenta Vilela, acrescentando que os ataques mais ferozes ocorreram depois de uma sequência de “seis veranicos” registrados na região, ano passado.
 
 
Arlindo Vilela, da Novapec
A NovaPec é uma “fazenda conceito” e tornou-se referência na intensificação da atividade de recria/engorda a pasto. A propriedade também é conhecida por ceder parte de suas áreas para o desenvolvimento de pesquisas. Desde a descoberta dos terríveis insetos, uma equipe de técnicos ligada à Embrapa Gado de Corte realiza um trabalho in loco, sobre a flutuação populacional e os danos de percevejo castanho nas pastagens. “Além das investigações da Embrapa, já reunimos muita gente para alertar e debater sobre a gravidade do problema”, diz Vilela.
 
Segundo Francisco Manzi, diretor técnico da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), a entidade pretende organizar um evento só para abordar o tema. “Estamos conversando com a Fundação MT e também com as associações de soja e algodão, pois sabemos que é um problema que atinge hoje várias culturas”, relata.
 
Vilela conta que, antes da descoberta da praga devastadora, acreditava-se que a perda de produtividade das pastagens estava ligada unicamente ao processo de degradação natural, por isso a fazenda começou a investir fortemente em adubação e controle de invasoras com herbicidas. “Porém, com o passar do tempo, vimos que essas ações não estavam surtindo o efeito desejado, o que nos fez desconfiar cada vez mais dos percevejos”, afirma o pecuarista.
 
Com a destruição de parte das pastagens, a NovaPec teve de reduzir drasticamente seu rebanho. “Nosso plantel sofreu redução de quase 40%, caindo de um total de quase 3.000 cabeças, no primeiro semestre de 2019, para cerca de 1.800, nos primeiros seis meses de 2020”, calcula. “Com a diminuição do rebanho, o custo fixo da fazenda subiu 18%”, calcula.

0 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do site. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

Desenvolvido por Investing.com
Resumo Técnico fornecido por Investing.com Brasil.
 
Sitevip Internet
Fale conosco via WhatsApp