“Acabou o asfalto e virou cascalho. O custo extra vem direto para o nosso bolso e o sentimento é de fraqueza, impotência e tristeza, isso desanima”, afirma o agricultor Renato Joner.
Empresários engrossam coro
Dono de uma corretora de compra e venda de grãos, Janoel Fernandes, também reforça o manifesto para melhoria da estrada. Além de perder cargas inteiras por acidentes, o empresário teve um aumento significativo nos custos por causa da falta de manutenção da estrada.
“Tenho um prejuízo de R$ 50 mil por mês com aumento de custo. Isso vai passando pela cadeia em geral. Vem do produtor, que vem para mim, que vai para o consumidor final. Está sendo difícil fechar negócios neste trecho por causa do problema. A logística está ficando muito cara, esse pedaço entre Bahia e Tocantins é uma região esquecida mesmo pelo poder público, você vê muito esforço dos agricultores em produzir bem, te oferecer produtos com qualidade, mas quando se pensa em logística, ela não existe”, afirma o empresário.
Entidades pedem providências
Segundo o presidente do Sindicato Rural de LEM, há dois anos os produtores locais deixaram de colocar o próprio dinheiro na manutenção da estrada, pois perceberam que fariam isso para sempre.
“No início, às vezes, os produtores faziam a manutenção dela. Levavam materiais e cascalhos para poder ter condições de tráfego. Mas pararam e, hoje ela está nestas condições. Praticamente intransitável. Se a gente não tiver uma providência urgente, ela será interditada, porque não tem mais condições de circular caminhão carregado, principalmente agora no início da safra”, afirma Teixeira.
Para o presidente da Aprosoja Brasil, Bartolomeu Braz, uma região importantíssima para o Brasil deveria ter uma atenção especial no Governo Federal.
“Mas essa é uma região que nós vamos ter foco nelas, que as nossas consultorias vão trabalhar aqui para levar ao Governo Federal e estadual onde são os gargalos e onde é necessário fazer pontes, rodovias novas, pavimentação para que dê a essa região a oportunidade de crescimento. Pois, precisamos dessa infraestrutura para que dê competitividade a estes produtores aqui da região oeste”, afirma ele.
Manutenção prevista
Após ser procurada pela reportagem, a Superintendência de Planejamento em Logística de Transportes da Bahia enviou a seguinte nota:
“A Secretaria de Infraestrutura da Bahia (Seinfra) está concluindo o projeto de restauração dos 56 quilômetros da BA-460, do entroncamento da BR-242 até a divisa com o Tocantins, passando por Placas (BA-459). A previsão é de que a licitação seja publicada em março. Enquanto isso, serão programados serviços de manutenção no trecho.”