O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, um entusiasta dos projetos ferroviários no Brasil – que depois de décadas estão voltando a ser prioridade no Governo Bolsonaro – ficaria enojado se soubesse os tantos movimentos de bastidores para barrar a Ferrogrão, em Mato Grosso.
O MINUTO MT teve acesso a conversas reservadas de gente influente no estado que garante que o projeto é “bater em ferro frio”, já que o investimento não é de interesse de grandes tradings, como é o caso da AMaggi, que já se cercarem de meios de travar o investimento.
O trajeto ferroviário, ligando Sinop, em Mato Grosso, ao Porto Miritituba, no Pará, serviria para escoar boa parte da produção do médio-norte de Mato Grosso, o que para os médios e até grandes produtores seria uma ótima notícia e um sinônimo de redução de custos.
Ocorre que os gigantes, hoje, já entraram pesado no mercado dos fretes rodoviários. Os maiores investidores do mundo do AGRO transformaram-se em requintados atravessadores do setor e, além das riquezas que acumulam com suas terras, também lucram muito fortemente com a logística, ou falta dela, em Mato Grosso.
Dentro desse prisma, cortar Mato Grosso de norte ao sul e leste ao oeste de trilhos é uma ameaça real para estes grandes especuladores. O fato que simbolizou tudo isso recentemente foi a discussão acalorada entre Eraí Maggi e o próprio Tarcísio, durante visita recente que o ministro fez a Mato Grosso.
O homem de confiança de Bolsonaro não se aguentou e chamou Eraí de “egoísta”, encurtando sua passagem pelo estado de tanta raiva que ficou com o lobby do megaempresário, que tentava argumentar contra a abertura para investimentos externos em tantos projetos ferroviários encabeçados pelo Governo Federal.
Coincidência ou não, o governador Mauro Mendes (DEM), que praticamente age como um funcionário da Família Maggi, lançou um dia após a citada discussão um projeto estadual para assumir, ao custo de R$ 12 bilhões, a Ferronorte, que hoje finaliza em Rondonópolis administrada pela RUMO, empresa essa que os Maggi comem na mesma mesa.
O anúncio fez soar estranha a postura de um governador que diz não ter orçamento para terminar o VLT de R$ 1 bilhão em Cuiabá, mas que lança, do dia pra noite, um projeto com um custo doze vezes maior. O próprio ministro, diplomático como é, elogiou a postura da gestão estadual.
O cenário que se apresenta no horizonte, contudo, com essa história de “estadualizar” a ferrovia será, na prática, ou o de entregar tudo de porteira fechada para a RUMO ou, mais provavelmente, uma operação de engessamento do projeto. De qualquer maneira, o governador fará aquilo que satisfaça quem lhe trouxe até a cadeira mais valiosa do estado.
Em poucos meses de gestão, o atual Governo Federal já tinha um plano de infraestrutura para Mato Grosso, mostrando que, de fato, vê o Brasil por suas necessidades e não por sua densidade eleitoral. O estado campeão da produção e valiosíssimo para a economia nacional, é carente de infraestrutura, mas tem a quantidade de voto na urna que um bairro de São Paulo.
Mesmo assim, Mato Grosso virou prioridade de investimento para quem tem a chave do cofre em Brasília, o problema é que o estado também é alvo de gente graúda que vem colocando dinheiro e lucrando em seu território há muitos anos. Estas duas forças se chocaram, mas só uma age com a verdade. Tarcísio não sabe, mas muitos que batem em suas costas no estado, são adversários de suas ações.
O ministro virá, novamente, no próximo dia 21 a Mato Grosso, para mais um evento de defesa da Ferrogrão, em Sinop. Na nova visita à região, o chefe da infraestrutura nacional verá gente que vai louvar seu projeto em público, enquanto se mexe e já até o sabotou nos bastidores.
Antes de nascer, abruptamente feito um aborto, a Ferrogrão já foi “morta” em alguma sala de reuniões de Cuiabá por gente que trata Mato Grosso como se fosse uma grande empresa de sua propriedade e enxerga até nas autoridades do estado verdadeiros serviçais .