Agricultores familiares do Assentamento Rural Casulo, localizado no município de Alto Boa Vista, participam pela primeira vez do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), programa do governo federal que compra alimentos produzidos pela agricultura familiar. A agricultora Jackeline Aparecida Martins começou a entregar batata doce, mandioca, abóbora e milho verde. A expectativa é comercializar acima de R$ 4 mil e em torno de 2.790 quilos de legumes durante o ano.
A agricultora Jackeline é proprietária de uma área de um hectare e está grávida do seu quarto filho. Ela e o seu marido Valdir Caldeira de Souza são responsáveis pelo plantio e pela colheita. Com a inserção dos produtores no PAA toda renda será para os gastos com o bebê que está chegando. O programa utiliza mecanismos de comercialização que favorecem a aquisição direta de produtos de agricultores familiares ou de suas organizações, estimulando os processos de agregação de valor à produção.
No assentamento existem 70 famílias e apenas dez agricultores familiares aderiram ao programa, sendo nove mulheres e um homem. A agricultora Sandra Brito de Moraes foi a segunda pessoa a aderir o PAA. Ela vai entregar durante o ano um total de 1.266 quilos entre abóbora, banana e mandioca. E vai receber R$ mais de R$ 2.400,00. No programa cada agricultor pode acessar até um limite anual e os preços não devem ultrapassar o valor dos preços praticados nos mercados locais.
O técnico agropecuário da Empaer, Mário Cezar Barbosa, responsável pela assistência técnica e elaboração de projetos de crédito rural, destaca que quem acessa o PAA são agricultores familiares, assentados da reforma agrária, comunidades indígenas e demais povos e comunidades tradicionais. E enfatiza que os interessados precisam da DAP (Declaração de Aptidão ao Pronaf).
Produtores que também aderiram ao programa: Arima Inácio de Amorim, Elzeny Arantes do Carmo, Ivanilda Leopoldina dos Santos, Laudinéia Pereira da Silva, Leudimar Pinheiro da Silva, Lucia Helena Rinaldi, Clevia Pereira da Silva e Pedro de Araujo Neves.
A extensionista social da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Daniele Figueiredo, explica que incentivou a maioria dos agricultores a entregar para o PAA com a finalidade de garantir uma alternativa de renda. Ela explica que a maioria dos assentados recebem o bolsa família e a produção era somente para consumo próprio. “Estimulei essas famílias a terem retorno financeiro com a produção”, esclarece.
De acordo com Daniele, além da inserção no PAA, serão liberados recursos do crédito rural na ordem de R$ 705 mil do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para 31 agricultores familiares, para aquisição de matrizes leiteira, galinhas poedeiras, fruticultura na produção de acerola e mamão e outros. O projeto foi elaborado pelos técnicos da Empaer.