Os mercados agrícolas internacionais iniciaram esta quarta-feira em queda para trigo, soja e milho, pressionados pelas condições climáticas favoráveis nos Estados Unidos, pela realização de lucros e pela cautela dos investidores antes do feriado do Memorial Day.
Segundo análise da TF Agroeconômica, o movimento também reflete a ausência de novidades concretas nas negociações comerciais entre China e Estados Unidos, fator que continua limitando reações mais positivas nos preços dos grãos.
No mercado do trigo, os contratos negociados em Chicago recuaram diante das boas condições climáticas nas regiões produtororas norte-americanas.
As chuvas nas Grandes Planícies do Norte favorecem o desenvolvimento das lavouras de trigo de primavera e ajudam na conclusão do plantio da safra 2026/27.
Mesmo assim, o mercado ainda encontra suporte nas condições consideradas ruins do trigo de inverno, que representa cerca de 70% da produção total dos Estados Unidos.
Na soja, o contrato julho voltou a operar abaixo de US$ 12 por bushel na Bolsa de Chicago.
Apesar da pressão negativa, a demanda internacional segue ativa, especialmente pela soja brasileira.
Segundo a análise, a China continua comprando carregamentos das safras velha e nova do Brasil, enquanto outros países ampliam aquisições de farelo e óleo vegetal.
Ainda assim, a ampla oferta sul-americana, a fraqueza técnica do mercado e a redução das posições dos investidores antes do feriado americano seguem pressionando as cotações.
As condições climáticas também permanecem no radar do mercado.
As previsões indicam chuvas para regiões como Delta, Vale do Ohio e Sudeste dos Estados Unidos, situação que pode atrasar parte do plantio, mas favorece o desenvolvimento das lavouras já emergidas.
No Brasil, a Abiove elevou a projeção dos estoques finais de soja para 8,25 milhões de toneladas.
O milho também encerrou o terceiro pregão consecutivo de baixa em Chicago.
O mercado acompanha o avanço das chuvas nas Grandes Planícies Centrais e no Meio-Oeste americano, reduzindo preocupações com a seca em estados produtores como Nebraska.
A melhora climática favorece a reta final do plantio da safra norte-americana e contribui para a pressão sobre os preços internacionais.
Segundo analistas, o cenário segue marcado por forte volatilidade, com investidores atentos às condições climáticas, à demanda chinesa e aos desdobramentos do cenário geopolítico global.