O mercado físico brasileiro de soja registrou comportamentos divergentes entre as principais regiões produtoras neste meio de semana. Segundo levantamento da TF Agroeconômica, a combinação entre a perda de fôlego do dólar, a pressão negativa em Chicago e a necessidade iminente dos produtores em fazer caixa para custear os tratos culturais das lavouras recém-semeadas ditou a dinâmica das cotações pelo país.
Panorama do Mercado e Andamento do Plantio
Rio Grande do Sul: A desvalorização do dólar e as perdas no mercado internacional retiraram sustentação das propostas de compra, levando a saca a recuar R$ 1,00 no estado. Com a correção, os preços fecharam em R$ 158,00 no Porto de Rio Grande, R$ 151,00 em Passo Fundo e R$ 152,00 em Santa Rosa. A semeadura no estado atinge 3% da área prevista, de acordo com a Emater/RS-Ascar.
Santa Catarina: Contramão da tendência do Sul, a praça de Abelardo Luz registrou forte alta de R$ 5,00 (+3,36%), com a saca cotada a R$ 154,00 (FOB). A Conab aponta que o plantio catarinense alcançou 17,2% da área.
Paraná: Cotações recuaram R$ 0,50, fixando-se em R$ 157,50 no Porto de Paranaguá e R$ 146,50 em Cascavel. Dados do Deral mostram que o plantio avançou 15 pontos percentuais na semana, atingindo 62% da área (abaixo dos 71% registrados no mesmo período do ano passado). O excesso de umidade e a baixa radiação solar vêm provocando falhas de germinação e exigindo replantios pontuais, gerando custos adicionais com combustível, sementes e maquinário.
Mato Grosso do Sul: O mercado operou com ajustes regionais. Dourados, Maracaju e Sidrolândia fixaram a referência em R$ 142,00/sc (com perdas de R$ 4,50 e R$ 4,00 nas duas últimas). Em contrapartida, Campo Grande subiu para R$ 143,00/sc (CIF). O plantio sul-mato-grossense atingiu 60% da área, segundo a Conab.
Mato Grosso: Com a semeadura disparando para 75,81% da área (dados do Imea), quatro das cinco praças acompanhadas fecharam em alta. Rondonópolis avançou para R$ 139,55/sc e Sorriso para R$ 133,60/sc, enquanto Lucas do Rio Verde recuou para R$ 133,00/sc.
Atenção à Conta Líquida do Produtor
A consultoria alerta que, no cenário atual, o produtor precisa atentar-se para o valor líquido final da operação. Descontos de classificação, custos de frete e prazos de liquidação têm impactado diretamente o resultado das vendas — muitas vezes, uma pedida pontualmente mais alta em determinada praça perde vantagem competitiva após a dedução dessas despesas operacionais, especialmente para quem precisa de recursos imediatos para cobrir os tratos culturais do ciclo 2026/27.