Com um lucro médio estimado em 31,27%, produtores de soja no Brasil têm uma oportunidade estratégica para realizar vendas parciais e assegurar a cobertura de seus custos de produção. A recomendação é da TF Agroeconômica, que alerta para os riscos associados à incerteza no cenário global, como guerras, tarifas e oscilações cambiais.
Segundo a consultoria, a estratégia ideal neste momento é vender parte da produção e manter o restante estocado, apostando em possíveis valorizações futuras do mercado.
Cenário externo influencia cotação no Brasil
O comportamento do dólar frente ao real em junho foi um dos principais fatores de influência no mercado. A valorização do real reduziu a competitividade das exportações brasileiras, desestimulando as vendas internas. Isso resultou em pressão de alta para a soja em Chicago (CBOT), mas teve efeito baixista nos preços domésticos.
Outros fatores que sustentaram o viés altista foram:
Aumento das tarifas de exportação na Argentina, a partir de 1º de julho, o que pode desacelerar as vendas do país vizinho;
Nova venda de 119,7 mil toneladas de soja para o México, confirmada pelo USDA para a safra 2025/26.
Pressões baixistas seguem no radar
Apesar dos elementos positivos, o mercado ainda lida com fatores de pressão, como:
- Ausência de novos acordos comerciais com a China, limitando a demanda pela soja norte-americana;
-
- Condições climáticas favoráveis nos EUA e Centro-Oeste brasileiro, que aumentam as expectativas de oferta;
-
- Ampliação da área plantada nos EUA, o que pode elevar a produção global.
No Brasil, o recuo nos preços de carnes e etanol — principais consumidores de farelo de soja — resultou em queda de 21,67% no preço do subproduto, impactando diretamente a soja, que recuou 3,24%.
Análise técnica e fundos
Na Bolsa de Chicago, as opções de venda (puts) para setembro a US$ 9,60 foram as mais negociadas, enquanto o maior interesse de compra está nas calls de novembro a US$ 12,00.
Os fundos reduziram suas posições líquidas compradas em soja para 23.448 contratos, mas ampliaram sua exposição ao farelo, atingindo 110.080 contratos líquidos comprados, o maior volume da série histórica.
A orientação da TF é clara: momento oportuno para gestão de risco. Com as margens ainda positivas, garantir a rentabilidade mínima pode ser decisivo em um mercado volátil e com tantos fatores incertos no horizonte.