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07/07/2025 | 08:54

Pecuária Sustentável do Pará se destaca como modelo global às vésperas da COP30

Redação Reporter Agro por Tiago Seiffert

Pecuária Sustentável do Pará se destaca como modelo global às vésperas da COP30

Foto: Banco de Imagens

A pecuária brasileira, um dos pilares da economia nacional, segue em constante transformação para atender às crescentes exigências de mercados internacionais e da sustentabilidade. Segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada pelo IBGE, o rebanho bovino no Brasil encerrou 2023 com 238,6 milhões de cabeças, representando um crescimento de 1,6% em relação ao ano anterior. No entanto, projeções apontam para uma leve retração: queda de 0,9% em 2024 e de 2,5% em 2025, reflexo do aumento nos abates observado no ciclo pecuário atual, com estimativa de 230 milhões de cabeças até o fim de 2025.

Diante desse cenário de mudanças, o estado do Pará tem se consolidado como referência nacional e internacional em pecuária sustentável. Com o segundo maior rebanho bovino do Brasil, o estado lançou, durante a COP28 em dezembro de 2023, o Programa de Pecuária Sustentável do Pará, estabelecido pelo Decreto nº 3.533/2023. A iniciativa traz metas ambiciosas para rastreabilidade total do rebanho, conectando tecnologia e boas práticas ambientais à produção agropecuária.

Rastreabilidade e Adequação à Legislação Europeia
Entre os principais compromissos do programa, estão:
  • Até dezembro de 2025: 100% do trânsito de animais e das propriedades com CAR validado deverão estar rastreados.
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  • Até dezembro de 2026: identificação individual de todo o rebanho com uso de tecnologias como Internet das Coisas (IoT) e blockchain.

Essas ações antecipam as exigências do novo Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR 2023/1115), que condiciona a entrada de produtos como carne bovina e couro à comprovação de origem livre de desmatamento após 31 de dezembro de 2020. A recente atualização da norma postergou a obrigatoriedade de conformidade: grandes empresas terão até 30 de dezembro de 2025 e micro e pequenas, até 30 de junho de 2026.

Financiamento Verde e Apoio Técnico
Para viabilizar essas metas, o programa conta com uma robusta rede de financiamento:
  • FNO Pecuária Sustentável (BNDES): até R$ 1,2 bilhão com juros de 1,5% ao ano, prazo de 12 anos e carência de 4.
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  • Crédito Agro Estadual (BEP): taxa fixa de 4% ao ano e carência de 2 anos.
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  • PIAS (Programa de Incentivo à Atividade Seguradora): desconto de até 20% em projetos certificados.

Pequenos produtores também são contemplados com linhas específicas:
  • Microcrédito Agropecuário estadual: até R$ 100 mil por produtor com juros de 2% ao ano.
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  • PRONAF Custeio e Mais Alimentos: até R$ 200 mil com taxa Selic +1% ao ano.
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  • Fundos de garantia solidária: acesso ao crédito sem necessidade de garantias reais.

A assistência técnica gratuita é assegurada pelo SENAR-PA e pela EMATER-PA, com capacitação em boas práticas de manejo, registro digital, uso de tecnologias e acesso ao mercado.

Seguro e Inovação
O Seguro Agroclimático Integrado, subsidiado em 50% pelo estado, protege até 80% do valor da arroba em caso de perdas por clima adverso, com contratação facilitada para propriedades de até 100 hectares.

A inovação tecnológica é outro pilar central do programa: sensores de alta precisão da Embrapa e da UFPA, drones para inspeção de pastagens e sistemas em blockchain garantem segurança, transparência e eficiência. Algoritmos preditivos ainda auxiliam no monitoramento da produtividade e dos riscos climáticos.

Novos mercados e impacto econômico
A certificação “Deforestation-free Pará” abre as portas para mercados premium nos Estados Unidos, Europa e Ásia. Coprodutos, como o couro, passam a contar com selos reconhecidos mundialmente, como o da Rainforest Alliance e Global Animal Partnership, agregando valor e ampliando margens de lucro.

Um estudo conjunto da The Nature Conservancy Brasil e do World Economic Forum estima que a rastreabilidade plena poderá adicionar US$ 1 bilhão ao valor da produção paraense até 2028, elevando o faturamento de US$ 2 bilhões para US$ 2,9 bilhões anuais. Esse crescimento se distribuirá em ganhos no mercado interno, exportações, redução de práticas ilegais e aumento de produtividade.

Impacto social e ambiental
Além dos ganhos econômicos, o programa promete gerar milhares de empregos, atrair investimentos em infraestrutura e tecnologia, aumentar a arrecadação fiscal do estado por meio do ICMS e promover a preservação ambiental.

Às vésperas da COP30, que será realizada em Belém (PA) em 2025, o Programa de Pecuária Sustentável do Pará mostra que é possível produzir em larga escala com responsabilidade ambiental. Com políticas públicas bem estruturadas, incentivos financeiros e integração tecnológica, o Pará desponta como exemplo global de pecuária sustentável e competitiva.
 

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