A decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre a carne bovina brasileira, em vigor desde a última quarta-feira (6), já provoca impactos na cadeia produtiva do setor. Estimativas apontam que a medida pode causar prejuízos de até US$ 1 bilhão às exportações nacionais.
Em municípios paulistas onde a carne representa mais de 60% das exportações, a expectativa é de redirecionar o produto para mercados que já compram do Brasil, como México, Rússia e Indonésia. Apesar da facilidade logística e de certificação, a remuneração desses países é inferior à praticada pelos norte-americanos, o que deve reduzir a rentabilidade do setor.
O preço pago pelos EUA chegava a ser US$ 1,5 mil por tonelada acima do valor oferecido pela China, que era o principal destino antes da taxação. Com isso, confinamentos voltados à exportação já registraram queda no faturamento, reflexo da desvalorização do boi gordo.
No curto prazo, especialistas avaliam que o redirecionamento da produção pode reduzir o preço da carne para o consumidor interno entre agosto e setembro, mas o efeito tende a ser temporário devido à menor oferta de animais no último quadrimestre do ano. Apesar das incertezas, o setor não prevê demissões em massa, já que entre 70% e 80% da carne produzida no país é absorvida pelo mercado interno.