O mercado de trigo no Sul do Brasil segue com ritmo lento de negociações, pressionado principalmente pelos altos custos logísticos e pelo foco dos produtores na colheita de outras culturas. Segundo análise da TF Agroeconômica, o cenário atual reflete baixa liquidez e cautela entre os agentes do mercado.
No Rio Grande do Sul, os negócios continuam pontuais, com poucos vendedores ativos devido à colheita da soja. Os moinhos, por sua vez, evitam novas aquisições diante do aumento significativo nos custos de frete, que variam entre R$ 1.200 e R$ 1.250 por tonelada no interior.
Há registros de negociações a R$ 1.300 CIF para entrega em maio, com pagamento antecipado, enquanto vendedores pedem até R$ 1.350 no interior, o que mantém o volume de negócios reduzido. No mercado externo, a ausência recente de trigo argentino limita a oferta, embora haja expectativa de chegada de produto uruguaio.
Em Santa Catarina, o abastecimento segue dependente do trigo gaúcho, acrescido de frete e ICMS, além da produção local. Os preços giram em torno de R$ 1.300 CIF, mas com menor disponibilidade de produto no mercado.
No Paraná, as cotações permanecem firmes, com negócios ao redor de R$ 1.350 CIF moinho. No entanto, compradores enfrentam dificuldades para repassar custos, enquanto vendedores elevam as pedidas para R$ 1.400, sem concretização de negócios nesse patamar.
A presença de trigo paraguaio, com preços ligeiramente inferiores, contribui para limitar avanços mais expressivos. O produto é cotado entre US$ 260 e US$ 262 posto em Ponta Grossa.
Diante desse cenário, o mercado segue travado, com baixa fluidez e dependente de fatores logísticos e da evolução da oferta nas próximas semanas.