As adversidades climáticas registradas nas principais regiões produtoras do país continuam impondo um ritmo difícil à colheita de trigo, gerando impactos diretos tanto no volume colhido quanto nos padrões de qualidade dos grãos. De acordo com análises do Cepea, a escassez de trigo tipo 1 no mercado interno, somada à recente oscilação de alta do dólar, tem sustentado os preços no mercado de lotes, contrariando a tendência de baixa observada nas cotações internacionais.
No relatório de outubro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) manteve praticamente estável a projeção para a produção total brasileira de trigo em comparação ao mês anterior. No entanto, o cenário regional revela perdas expressivas: houve cortes nas estimativas para os estados de São Paulo e Goiás.
O impacto mais pesado em volume ocorreu em território paulista, onde uma parcela significativa do cereal colhido não atingiu os requisitos mínimos de qualidade exigidos para a comercialização comercial, comprometendo o rendimento dos produtores locais.
Demanda aquecida por importações
Diante da restrição na oferta de trigo com padrão de qualidade superior, pesquisadores do Cepea apontam que a necessidade de compras do mercado externo permanece em patamares elevados.
Refletindo essa conjuntura, a Conab manteve inalterada a previsão de importações brasileiras em 7,06 milhões de toneladas para este ano de 2026. O volume representa um salto expressivo de 15,1% em comparação ao total importado no ano anterior, evidenciando o desafio do setor em atender à demanda interna com a safra nacional comprometida pelo clima.