A forte valorização do dólar frente ao Real registrada na última semana deu um novo fôlego à oleaginosa brasileira no cenário global, ampliando a competitividade da soja do país no mercado internacional e atraindo o interesse de compradores estrangeiros. De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), esse movimento impulsionou a liquidez no mercado doméstico e fez com que as cotações retornassem aos mesmos patamares observados no início de outubro.
Segundo os pesquisadores do Cepea, o apetite por negócios no mercado spot (pronta entrega) também foi intensificado pelo receio e pelas incertezas em torno dos custos de frete para os próximos meses, impulsionados sobretudo pelas perspectivas de alta nos preços do diesel.
Cautela em contratos a termo e valorização dos derivados
Em contrapartida ao aquecimento no disponível, o comportamento dos agentes nacionais revela um cenário de maior cautela quando o assunto são compromissos futuros. Produtores e vendedores têm demonstrado menor interesse em fechar contratos a termo, com maior foco de reticência para os embarques previstos para 2027. Além das dúvidas sobre a futura logística do frete rodoviário, as discussões em torno da reforma tributária reforçam a prudência, fazendo com que parte do setor prefira reter os estoques remanescentes da safra anterior a comprometer volumes de forma antecipada.
O mercado de derivados também acompanhou o movimento de alta nos últimos dias:
Óleo de Soja: A demanda aquecida elevou os prêmios de exportação ao maior patamar desde março deste ano. Contudo, o recuo verificado no preço FOB acabou limitando uma valorização ainda mais expressiva no mercado interno.