Rebeldes Houthi, no Iêmen, começaram nesta sexta-feira (15/12) a lançar ataques de mísseis e drones a navios porta-contêineres no Estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico. Até o momento, o navio Al-Jasrah, da Hapag-Lloyd, e o navio MSC Palatium III, da MSC, foram atingidos. Felizmente, não foram relatadas pessoas feridas. O navio Maersk Gibraltar, segundo relatos, escapou por pouco de um ataque de míssil ontem (14/12).
Como resultado dos ataques, a Maersk e a Hapag-Lloyd, maiores transportadoras de contêineres do mundo, estão tomando medidas para mudar as rotas de todos os navios na região. Outras operadoras de porta-contêineres devem seguir o exemplo.
Segundo dados da project44, plataforma líder em visibilidade para a cadeia de suprimentos, o Estreito de Bab el-Mandeb recebe anualmente algo próximo a 17.000 navios, representando 10% de todo o comércio global. Todos os navios que passam pelo Canal de Suez devem atravessar o Estreito. Logo, os redirecionamentos trarão grandes implicações ao supply chain. É esperado um aumento nos tempos de trânsito para todas as cargas que tradicionalmente utilizam a rota, até que ela seja considerada segura para a passagem.
O incidente no Estreito de Bab el-Mandeb representa um segundo grande canal enfrentando percalços, uma vez que o Canal do Panamá continua impactado por uma seca contínua e a escassez de água.
Embora futuros navios provavelmente sejam redirecionados, atualmente existem mais de 100 navios porta-contêineres nas proximidades do Estreito de Bab el-Mandeb. Todos estão sob risco potencial de novos ataques. A project44 continuará monitorando de perto a área em busca de qualquer informação sobre ataques adicionais e os impactos da suspensão da passagem pelo Estreito.

Mapa de navios porta-contêineres próximos ao Estreito de Bab el-Mandeb.
Fonte: project44, 15/12/23. Uso permitido desde que citada a fonte.